Yabá da Terra Brasileira
"Yabá da Terra Brasileira"
(Introdução: Pandeiro, cavaco e surdo marcando o ritmo clássico do samba)
Verso 1:
"Na quilha do navio, ela veio de lá,
Iorubá, Angolaná, mãe da nagô de lá.
Trouxe no ventre o axé, no colo a dor,
Nas palmas da mão, a semente do amor.
Na senzala, plantou sonho, colheu lamento,
Mas no terreiro ergueu o seu firmamento.
Dandara não baixou a cabeça pro medo,
Com filho no braço, lutou pelo quilombo inteiro!"
Refrão:
"Ô, Yabá, guerreira da fé,
Do açoite ao asfalto, ela é pé no chão!
Ô, Yabá, força de Iansã,
Maria, Madalena, Carolina... Mulherão!"
Verso 2:
"1888, a lei aboliu a corrente,
Mas a liberdade veio sem lápis nem fonte.
Lavando roupa, cozinhando dignidade,
Na favela, ela virou sinhá da cidade.
Clementina cantou o samba da dor,
Tia Ciata fez a roda do amor.
No peito da escola de samba, ela brilhou,
Rainha da bateria, o manto desfilou!"
Ponte (Partido Alto):
"Ela é a voz da Cuíca, ecoou na Avenida,
É a cor da Portela, a leveza da Vida!
Na canção de Leci, na poesia de Conceição,
Ela escreveu o Brasil com sangue e paixão!"
Verso 3:
"Salvador, Bahia, berço da resistência,
No Pelourinho a dor virou poesia.
Baiana com seu tabuleiro, acarajé e dendê,
Nas águas de Yemanjá, ela é Iabá do maré.
Do terreiro ao bloco afro, ela é voz e tambor,
Mãe Stella guia, Ilê Aiyê de amor.
Na ladeira do Curuzu, a passada é de rainha,
Salvador é espelho, ela é força divina!"
Refrão Final:
"Ô, Yabá, guerreira da fé,
Na ginga do samba, ela dança a liberdade!
Ô, Yabá, mãe de todas as lutas,
Amanhã será dela, com justiça e igualdade!"
(Coda: Coro de vozes femininas e repique de tamborim)