Historia da Yabá da Terra Brasileira

 



Yabá da Terra Brasileira


Yabá da Terra Brasileira: 

A Saga das Mulheres que Teceram o Brasil

📖 História – 

Representação de “Yabá da Terra Brasileira”

A expressão “Yabá da Terra Brasileira” não se refere a um orixá específico, mas sim a uma representação simbólica que une a ideia de uma Grande Mãe ao contexto do Brasil. Podemos interpretá-la como a personificação da Mãe-Terra sob a ótica afro-brasileira – uma figura mítica que combina atributos das Yabás (as orixás femininas) com a imagem da terra brasileira. Nas tradições iorubás existe a noção de que a Terra é sagrada e feminina, por exemplo na divindade Onílẹ̀ (Onilé), conhecida como Senhora da Terra ou Mãe-Terra, que representa a base de toda vida


. No Brasil, “Yabá da Terra Brasileira” pode ser vista como uma adaptação dessa ideia: uma entidade simbólica que representa a força feminina presente na natureza e na história do país. Não se trata de um orixá formal no panteão tradicional, mas de uma metáfora cultural – uma maneira poética de reverenciar a terra do Brasil como se ela fosse cuidada e regida por uma Mãe Rainha afro-brasileira. Em contextos artísticos e educacionais, essa expressão é usada para celebrar a ancestralidade feminina que “tece” a nação brasileira, unindo influências africanas, indígenas e populares em uma só imagem maternal.

Ligações com as Orixás Femininas (Yabás)




Ilustração de uma Yabá guerreira ao entardecer, representando a força e majestade das divindades femininas da natureza.

No candomblé e na umbanda, as Yabás correspondem às principais orixás femininas, cada uma ligada a elementos naturais e aspectos do mundo. A seguir, destacamos algumas das Yabás mais conhecidas e suas ligações com a natureza e a cultura:

Iansã (Oyá) – Orixá dos ventos, raios e tempestades, representa o poder dos ventos e as transformações. É uma guerreira associada à paixão e à independência feminina, capaz de ser brisa suave ou furacão impetuoso. Iansã simboliza movimento e mudança constantes, sendo reverenciada pela sua força e coragem. Na tradição brasileira, foi sincretizada com Santa Bárbara, e seu dia é comemorado em 4 de dezembro. Iansã guia os espíritos dos mortos (eguns) nas passagens funerárias e também domina os relâmpagos – por isso costuma ser chamada de Senhora dos Ventos e das Tempestades 

Oxum – Orixá das águas doces (rios e cachoeiras), da beleza, do amor e da fertilidade. É vista como a rainha das cachoeiras e senhora da riqueza, simbolizando a doçura, a generosidade e a maternidade. Oxum rege tudo que é ligado ao amor, à prosperidade e à maternidade, sendo protetora das grávidas e crianças. Seu elemento é a água doce e sua cor tradicional é o dourado ou amarelo (ligada ao ouro, já que Oxum também é associada à riqueza). Na religião católica, Oxum é sincretizada com figuras de Nossa Senhora (como Nossa Senhora da Conceição ou Aparecida), e seu dia celebrado em 8 de dezembro.

Nanã – É a Yabá das águas paradas, pântanos e lama, conhecida por ser a orixá mais velha e sábia. Nanã Buruquê representa a ancestralidade, a sabedoria e a ligação entre vida e morte. Como senhora dos pântanos e da terra úmida, ela esteve presente no mito da criação: foi Nanã quem forneceu o barro para moldar os primeiros seres humanos, conectando assim a terra (barro) à origem da vida. Geralmente é representada como uma anciã de grande poder, associada ao arquétipo da avó, protetora dos idosos. Ela “governa” o portal dos mortos – recebe as almas que retornam à terra e facilita a reencarnação. Nanã simboliza a Grande Mãe primordial, equivalente à figura da Mãe-Terra em outras culturas, e costuma ser sincretizada com Sant’Anna (a avó de Jesus na tradição católica).Iemanjá – Orixá dos mares e oceanos, talvez a Yabá mais popular no Brasil. Iemanjá é chamada de Rainha do Mar e vista como a grande mãe que protege os pescadores e os que vivem do mar. Está associada à fertilidade e à maternidade, sendo considerada “Mãe de muitos orixás” nas lendas iorubás. Seu nome em iorubá, Yéyé omo ejá, significa “mãe cujos filhos são peixes”, sublinhando sua conexão com as águas e a vida marinha. No Brasil, Iemanjá é representada como uma bela mulher negra de longos cabelos, vestida de azul e branco com adornos de conchas, simbolizando . É sincretizada frequentemente com Nossa Senhora dos Navegantes ou Nossa Senhora da Conceição, e festejada no dia 2 de fevereiro (especialmente na Bahia). Iemanjá personifica a maternidade, a proteção e a generosidade do oceano – as qualidades nutridoras do mar.

Obá – Orixá guerreira associada às águas revoltas de rios e à força feminina nas batalhas. Obá é conhecida por sua valentia e poder combativo; em mitos, foi uma das esposas de Xangô e rival de Oxum, protagonizando histórias de coragem e ciúme. Como Yabá, Obá representa a mulher forte e destemida, muitas vezes simbolizada com espada e escudo. É ligada às corredeiras e redemoinhos dos rios, refletindo uma natureza intensa e turbulenta. Obá é tão poderosa que, segundo as lendas, derrotou vários orixás masculinos em combate, o que a torna um símbolo de força feminina indomável. No Brasil, o culto a Obá foi mantido apesar de perseguições, e ela acabou sincretizada com Santa Joana d’Arc – outra figura guerreira – devido ao seu caráter bravo e justiceiro. Obá ensina sobre coragem, lealdade e autossacrifício (há uma famosa história em que ela sacrifica parte de si em nome do amor e da fidelidade).

Nota: Além dessas, existem outras Yabás menos conhecidas, como Euá (Yewá) – ligada às águas dos lagos e à claridade, ou Oyá (nome iorubá de Iansã) – já citada, e até figuras de nações afro-brasileiras distintas (por exemplo, Oduduwa é às vezes cultuada como uma deusa da criação, e Onilé como vimos, é a própria terra). Em geral, todas as Yabás são forças da natureza personificadas, cada qual com características únicas, mas compartilhando o princípio feminino sagrado.

Características Espirituais e Elementos Associados

Apesar de cada Yabá ter personalidade e domínio próprios, elas compartilham algumas características espirituais comuns. Todas simbolizam aspectos do poder feminino divino, como a capacidade de gerar e proteger a vida, a força diante das adversidades e a sabedoria ancestral. As Yabás são frequentemente vistas como mães e guerreiras ao mesmo tempo: por exemplo, Iemanjá e Oxum demonstram o lado materno, cuidando e alimentando, enquanto Iansã e Obá mostram o lado guerreiro, defendendo e lutando com bravura. Essa dualidade reflete a visão africana de que o feminino possui múltiplas facetas – ternura e força, calmaria e tempestade. Em termos de elementos naturais, cada Yabá está associada a forças da natureza: águas doces ou salgadas, ventos, tempestades, lama/terra, etc. Essas ligações reforçam a ideia de que as divindades femininas são a própria natureza em suas manifestações. Os elementos simbolizam os atributos espirituais de cada orixá feminina:

Água (rios, cachoeiras, oceanos) traz a noção de fertilidade, purificação e sustento da vida – Oxum e Iemanjá, por exemplo, governam as águas e, por isso, são invocadas para assuntos de amor, fertilidade e cura emocional.

Vento e tempestade significam transformação, ímpeto e justiça – Iansã, senhora dos ventos, limpa aquilo que está estagnado e traz mudanças rápidas, representando a liberdade e a intrepidez feminina.Lama e terra simbolizam ancestralidade, criação e acolhimento final – Nanã, com a terra úmida dos pântanos, lembra que do barro viemos e a ele retornamos, guardando as memórias dos antepassados e ensinando paciência e respeito ao tempo.

Fogo e raios (embora mais associados aos orixás masculinos Xangô ou Ogum) também aparecem nas mãos de Yabás como Iansã, mostrando que elas igualmente dominam a energia e a luz.

Cada Yabá possui cores, símbolos e saudações específicas que refletem seus atributos. Por exemplo, a cor azul claro e as flores brancas são associadas a Iemanjá (remetendo à serenidade do mar); o amarelo-dourado e o espelho pertencem a Oxum (representando o ouro, a beleza e a vaidade saudável); o vermelho ou marrom e o raio simbolizam Iansã (a força das tempestades e do fogo celestial); o roxo ou branco e o ibiri (cetro de palma) identificam Nanã (nobreza e mistério da lama); já Obá às vezes é associada ao rosa ou vermelho escuro e ao turbante que cobre sua orelha, sinal de seu sacrifício. Esses elementos materiais (cores, objetos ritualísticos, comida de oferenda, etc.) ajudam os fiéis a se conectar com a energia de cada Yabá, funcionando como símbolos dos princípios que elas regem na natureza e na vida humana.

Presença Cultural e Importância no Brasil


Devotas celebrando Iemanjá em Salvador (BA), oferecendo flores e potes decorados ao mar em 2 de fevereiro, dia consagrado à orixá.

As Yabás exercem uma influência profunda na cultura brasileira, seja na religiosidade, na arte ou nas tradições populares. No campo religioso, elas são cultuadas em centenas de terreiros de candomblé e umbanda espalhados pelo Brasil. Cada orixá feminina possui festas e dias santos celebrados com grande fervor: por exemplo, o Dia de Iemanjá (2 de fevereiro em Salvador) atrai todos os anos milhares de fiéis e simpatizantes às praias para entregar oferendas ao mar, em uma tradição centenária reconhecida como patrimônio imaterial do Brasil. Nessa festa, é comum ver pessoas vestidas de branco e azul levando flores, perfumes e espelhos que são lançados nas ondas como presentes à “Rainha do Mar”. Da mesma forma, Oxum é homenageada em cachoeiras e rios, Iansã é lembrada em festividades no dia de Santa Bárbara (4 de dezembro, sobretudo na Bahia, com a famosa caruru de Iansã), e Nanã é reverenciada junto a Sant’Anna no sincretismo católico, em julho. Essas celebrações mostram como as Yabás se integraram aos costumes brasileiros, muitas vezes mesclando-se com festas católicas devido ao sincretismo religioso histórico – estratégia pela qual os africanos escravizados preservaram o culto às suas deusas disfarçando-as como santas da Igreja. Na música, na dança e na literatura, a presença das Yabás também é marcante. Sambas, cantigas de capoeira e pontinhos de umbanda frequentemente exaltam Iemanjá, Oxum, Iansã e outras, evidenciando seu valor simbólico. Um exemplo famoso é a canção “Oração à Mãe Menininha” de Dorival Caymmi, que saúda Oxum (Mãe Menininha era uma famosa iyalorixá, filha de Oxum). A escola de samba Portela, no Rio de Janeiro, realiza anualmente a “Festa das Yabás”, exaltando as orixás femininas e as matriarcas da comunidade. Expressões populares como “salve a Rainha do Mar!” ou “Eparrei, Oyá!” (saudação a Iansã) entraram no vocabulário nacional, mesmo de pessoas que não são praticantes diretos das religiões afro-brasileiras, indicando respeito e admiração por essas entidades. Espiritualmente e simbolicamente, as Yabás representam a resistência e a identidade afro-brasileira. Elas são um elo vivo com as raízes africanas do Brasil e, ao mesmo tempo, símbolos de uma brasilidade diversa e sincrética. O culto às Yabás promove valores como o respeito à natureza (já que cada fenômeno natural é visto como sagrado), o respeito à mulher e ao princípio feminino, e a valorização da herança negra e indígena na formação cultural do país. Em muitas comunidades, as lideranças religiosas femininas (yalorixás) são guardiãs desses conhecimentos e rituais, educando as novas gerações sobre a importância de cultuar os orixás e orixás femininas com reverência. Em suma, “Yabá da Terra Brasileira” simboliza a união do feminino divino com a terra do Brasil – seja nas lendas das orixás que dominam os rios e mares, seja na figura das mulheres negras e indígenas fortes que moldaram a história brasileira. É um termo pedagógico e poético para reconhecer que, por trás das matas, das águas e até das lutas sociais do Brasil, existe a benção e a garra da energia das Yabás, as eternas Mães Rainhas que protegem e guiam o povo brasileiro. Referências: As informações acima foram compiladas a partir de estudos sobre mitologia iorubá e cultura afro-brasileira, incluindo fontes como a Wikipédia, artigos educativos do portal Brasil Escola/UOL, o dicionário Michaelis e conteúdos do site Significados (Todos Matéria) para perfis de orixás, entre outros. Essas referências documentam o papel das Yabás (orixás femininas) – “Mães Rainhas” – e sua influência na natureza (ventos, rios, oceanos, etc.) e na sociedade brasileira. A conexão simbólica intitulada Yabá da Terra Brasileira é interpretada com base na literatura oral e escrita da tradição afro-brasileira, que enfatiza a Terra como sagrada e associada a forças maternas, bem como em materiais pedagógicos culturais que celebram as mulheres ancestrais do Brasil como continuadoras do legado das Yabás.