Notas Didática João Cândido Felisberto

 



João Cândido Felisberto

Notas Didáticas + BNCC 

Habilidades-alvo (EF – Anos Finais):

  • EF08HI05/EF08HI07 (História): revoltas na Primeira República; relações entre modernização e cidadania; produção de linha do tempo 1900-1930.
  • EF07HI12 (História): diversidade étnico-racial e mundo do trabalho urbano; minibiografias e dossiê de fontes.
  • EF89LP14 / EF69LP18 (LP): análise de argumentação em manifestos e escrita do “panfleto-manifesto” da turma (rascunho→revisão).
  • EF08GE01 / EF06GE08 (Geografia): conceitos de território/Estado e escala/cartografia; croqui da Baía de Guanabara com rotas e pontos (arsenal, Ilha das Cobras, ancoradouros).

Atividades rápidas:

  1. Dossiê de fontes (foto de jornal, regulamentos disciplinares, mapas) com perguntas-guia (tese, evidências, contexto).
  2. Croqui comentado da baía (legendado) + medição aproximada de rotas.
  3. Panfleto-manifesto da turma (sem “chibata” no cotidiano escolar → regras de convivência; operadores argumentativos sublinhados).
  4. Seminário: “Modernização técnica x modernização social” (navios modernos, disciplina arcaica).

Avaliação (rubrica curta):

  • Compreensão histórica (datas/processos) · Uso de fontes · Clareza argumentativa · Relacionar passado-presente · Trabalho em equipe.

 

Guia de Estudos Detalhado: A Revolta da Chibata e João Cândido

Questionário (10 perguntas de resposta curta – 2 a 3 frases cada)

  1. Quem foi João Cândido Felisberto e qual o contexto de sua infância? João Cândido foi um homem negro, nascido em família pobre no sul do Brasil, filho do pós-Abolição. Cresceu em um ambiente que o levou cedo ao ofício náutico, onde a disciplina e o trabalho duro eram constantes, misturando o encanto do mar com suas dificuldades.
  2. Qual contradição João Cândido observou na Marinha Brasileira de sua época? Ele percebeu uma gritante contradição entre a modernização tecnológica da frota, que contava com navios avançados e técnicas europeias, e a persistência de castigos corporais coloniais, como a chibata, aplicados especialmente a marinheiros negros.
  3. Quais foram as principais reivindicações dos marinheiros durante a Revolta da Chibata? As principais reivindicações eram o fim imediato da punição corporal (chibata), anistia para todos os participantes do levante, melhoria nos soldos e na alimentação, e respeito básico à dignidade da tripulação.
  4. Como a liderança de João Cândido é descrita nos textos? Sua liderança é caracterizada como serena e firme, baseada no respeito que conquistou entre os companheiros. Ele falava baixo, decidia com calma, escutava, e sua autoridade vinha de seu conhecimento de bordo, coragem e senso de justiça.
  5. Qual foi a estratégia utilizada pelos marinheiros para pressionar o governo? Os marinheiros tomaram o controle dos principais navios de guerra, como o Minas Geraes, e apontaram seus canhões para a cidade do Rio de Janeiro. Esse gesto extremo visava forçar o diálogo e impedir novas chibatadas, sem o objetivo de destruir a cidade.
  6. O que aconteceu após o fim da Revolta da Chibata, apesar do acordo com o governo? Na esteira do acordo, muitas das promessas governamentais foram descumpridas. Houve perseguições, prisões e expulsões, culminando em eventos trágicos como o da Ilha das Cobras, onde ocorreram mortes sob custódia e repressão.
  7. Qual foi o destino de João Cândido após a revolta? Ele foi preso diversas vezes, enfrentou processos e, embora absolvido anos depois, não foi plenamente reintegrado à Marinha nem recebeu reparações. Sua vida material deteriorou-se, e ele passou a sobreviver como pescador e vendedor de peixe.
  8. Como a Revolta da Chibata contribuiu para a história e a sociedade brasileira a longo prazo? A revolta legou um programa ético e social que defendia a disciplina sem tortura, direitos laborais e respeito racial. Expôs a lacuna entre a modernização material e a cidadania na Primeira República, tornando-se um marco de luta.
  9. Que tipo de expressão artística foi criada por AfroEduca para abordar a Revolta da Chibata e qual sua mensagem central? Foi criada uma música no estilo rap/afrobeat, intitulada "Sem Chibata". Sua mensagem central é a exigência de respeito, soldo justo e valorização do marinheiro negro, rejeitando a violência e a humilhação da chibata.
  10. Que conceitos geográficos podem ser explorados no estudo da Revolta da Chibata, segundo as Notas Didáticas? Podem ser explorados os conceitos de território/Estado e escala/cartografia. Sugere-se a criação de um croqui da Baía de Guanabara, com as rotas e pontos estratégicos da revolta (arsenal, Ilha das Cobras, ancoradouros).

Perguntas em Formato de Ensaio (Não fornecer respostas)

  1. Analise a Revolta da Chibata como um ponto de inflexão na história da Primeira República brasileira, discutindo como ela expôs a distância entre a modernização material e o desenvolvimento da cidadania e dos direitos sociais.
  2. Discorra sobre o papel da liderança de João Cândido na Revolta da Chibata. De que forma sua personalidade e suas experiências contribuíram para a organização e o êxito inicial do levante?
  3. Compare a visão de "disciplina" e "modernidade" presente na Marinha antes da Revolta da Chibata com as reivindicações dos marinheiros. Avalie como a revolta propôs uma redefinição desses conceitos.
  4. Explique como a memória de João Cândido e da Revolta da Chibata foi resgatada e por que ela permanece relevante para movimentos sociais, pesquisadores e educadores no Brasil contemporâneo.
  5. Utilizando a letra da música "Sem Chibata", analise como a arte (neste caso, o rap/afrobeat) pode ser uma ferramenta pedagógica eficaz para comunicar eventos históricos, transmitir valores e mobilizar a consciência social.

Glossário de Termos-Chave

  • Abolição: O fim da escravidão, referindo-se no contexto brasileiro à Lei Áurea de 1888. João Cândido nasceu no período "pós-Abolição", indicando que sua família negra, embora livre, enfrentava as consequências sociais e econômicas da escravidão recém-extinta.
  • Anistia: Perdão oficial concedido a um grupo de pessoas, geralmente por delitos políticos ou militares. Uma das principais reivindicações dos marinheiros da Revolta da Chibata era a anistia para evitar punições após o levante.
  • Baía de Guanabara: Grande baía localizada no estado do Rio de Janeiro, onde se situa a cidade do Rio de Janeiro. Foi o palco principal dos eventos da Revolta da Chibata, com os navios apontando seus canhões para a capital.
  • Chibata: Instrumento de castigo corporal, um tipo de chicote, usado na Marinha brasileira. Sua aplicação a marinheiros, especialmente negros e pobres, foi o estopim e o principal alvo de contestação da revolta.
  • Dreadnoughts: Tipo de navio de guerra de grande porte, fortemente armado e blindado, que revolucionou a construção naval no início do século XX. O Brasil possuía dreadnoughts modernos como o Minas Geraes, simbolizando a modernização tecnológica da Marinha.
  • Ilha das Cobras: Ilha localizada na Baía de Guanabara, onde se situavam instalações da Marinha, incluindo a prisão. Tornou-se um local de tragédia após a revolta, com mortes e repressão de marinheiros sob custódia.
  • Minas Geraes: Um dos modernos navios dreadnoughts da Marinha brasileira, que foi tomado pelos marinheiros rebeldes durante a Revolta da Chibata e teve seus canhões apontados para a cidade.
  • Modernização material vs. Atraso no tratamento humano: Contradição central destacada nos textos, que se refere ao avanço tecnológico da frota naval brasileira (navios modernos) em contraste com a manutenção de práticas disciplinares arcaicas e desumanas (chibata), especialmente para marinheiros negros.
  • Primeira República: Período da história do Brasil que vai de 1889 (proclamação da República) a 1930 (Revolução de 1930). A Revolta da Chibata é um evento significativo desse período, expondo tensões sociais e raciais.
  • Soldo: Remuneração, salário ou vencimento de militares. A reivindicação por "melhores soldos" era uma das demandas dos marinheiros, buscando condições de trabalho mais justas.

Parte superior do formulário

Linha do Tempo da Revolta da Chibata e a Vida de João Cândido

1870s-1880s:

  • Nascimento de João Cândido Felisberto: João Cândido nasce no sul do Brasil em uma família pobre e negra, filho do pós-Abolição. Cresce ouvindo histórias de mar e trabalho.

Período Anterior a 1910:

  • Ingresso na Marinha e Aprendizado: João Cândido entra para a Marinha em sua juventude, aprendendo rapidamente e embarcando em navios modernos com técnicas europeias.
  • Percepção das Contradições: Como homem negro, João Cândido percebe a contradição entre a tecnologia de ponta dos navios e a persistência de castigos coloniais, especialmente contra marinheiros negros.
  • Desenvolvimento da Liderança: Ele se torna uma figura de liderança serena e firme, respeitado por seu conhecimento, coragem e senso de justiça.

Novembro de 1910:

  • Retorno à Baía de Guanabara: João Cândido retorna à Baía de Guanabara, no Rio de Janeiro (então capital do Brasil), encontrando a chibata como rotina disciplinar.
  • Estopim da Revolta: Após mais um castigo corporal, marinheiros de diferentes navios articulam um levante.
  • Início da Revolta da Chibata: Em novembro de 1910, a Revolta da Chibata explode. João Cândido emerge como a principal figura de liderança coletiva.
  • Tomada dos Navios: Os marinheiros rebeldes tomam o controle dos principais navios da Marinha brasileira, incluindo dreadnoughts modernos como o Minas Geraes.
  • Pressão sobre a Cidade: Os canhões dos navios são apontados para a cidade, não com o objetivo de destruí-la, mas como uma forma extrema de pressão para forçar o diálogo e impedir novas chibatadas.
  • Apresentação das Reivindicações: Os marinheiros apresentam demandas claras ao governo: fim imediato da punição corporal (chibata), anistia aos participantes, melhores soldos e alimentação, e respeito básico à tripulação.
  • Negociação e Fim da Revolta: O governo aceita negociar, prometendo anistia e o fim dos castigos corporais. A revolta é temporariamente encerrada.

Pós-Novembro de 1910:

  • Descumprimento das Promessas: O governo descumpre parte das promessas feitas, iniciando perseguições, prisões e expulsões dos marinheiros envolvidos.
  • Tragédia da Ilha das Cobras: Ocorre o episódio conhecido como Tragédia da Ilha das Cobras, com mortes sob custódia e repressão severa.
  • Prisão e Julgamentos de João Cândido: João Cândido é preso mais de uma vez e enfrenta processos.

Anos Posteriores:

  • Absolvição e Vida Pós-Marinha: João Cândido é absolvido dos processos anos depois, mas sem reintegração plena à Marinha ou reparações.
  • Vida como Pescador e Vendedor de Peixe: Sua vida material degringola, e ele passa a sobreviver na economia popular do Rio de Janeiro, trabalhando como pescador e vendedor de peixe.
  • Símbolo Incômodo: Por décadas, João Cândido é considerado um símbolo incômodo: herói popular para alguns, mas uma lembrança para o Estado de que as Forças Armadas precisavam lidar com racismo e autoritarismo internos.

Longa Duração / Tempos Atuais:

  • Legado Ético e Social: A Revolta da Chibata lega um programa ético e social, defendendo disciplina sem tortura, direitos laborais e respeito racial.
  • Ponto de Inflexão na Primeira República: A revolta expõe a distância entre a modernização material e a cidadania durante a Primeira República.
  • Recuperação da Memória: A memória de João Cândido é recuperada por movimentos negros, pesquisadores, artistas e educadores, afirmando que a história do mar também é escrita por corpos e vozes da classe trabalhadora.
  • Homenagens e Reconhecimento: Com o tempo, João Cândido recebe homenagens, tem canções criadas em sua memória e estátuas em sua honra, recuperando parte de seu nome e reconhecimento.

Elenco de Personagens

  • João Cândido Felisberto ("O Dragão do Mar Sem Chibata"): O protagonista central, nascido em família pobre e negra no sul do Brasil. Marinheiro habilidoso e líder carismático, conhecido por sua serenidade, firmeza e senso de justiça. Foi o principal articulador e líder da Revolta da Chibata, defendendo o fim da punição corporal, a anistia e melhores condições para os marinheiros. Após a revolta, enfrentou perseguições, prisões e, embora absolvido, viveu na miséria, trabalhando como pescador e vendedor de peixe. Tornou-se um símbolo da luta contra o racismo e o autoritarismo, e sua memória foi resgatada como herói popular e político.
  • Marinheiros (comuns): Representam a coletividade que sofreu com os castigos da chibata, principalmente os negros e pobres. Foram os participantes ativos da Revolta da Chibata, unindo-se sob a liderança de João Cândido para exigir direitos e respeito. Muitos foram perseguidos, presos ou expulsos após o fim da revolta.
  • O Governo (Primeira República): Representa o poder estabelecido na época, que inicialmente negociou com os revoltosos, prometendo anistia e o fim dos castigos, mas posteriormente descumpriu as promessas, realizando perseguições e repressão.
  • A Marinha Brasileira: A instituição militar onde João Cândido serviu. Era vista como moderna em termos de tecnologia (dreadnoughts), mas atrasada e autoritária em suas práticas disciplinares, mantendo a chibata como forma de punição, especialmente contra marinheiros negros e pobres.

Movimentos Negros, Pesquisadores, Artistas e Educadores: Entidades e indivíduos que, ao longo do tempo, contribuíram para a recuperação e valorização da memória de João Cândido e do legado da Revolta da Chibata, reconhecendo sua importância para a história social e racial do Brasil.