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Cabula


"Cabula: Jogo dos Santos"


(Ritmo: Samba de roda com toques de ijexá e percussão tribal)

Verso 1 (As Raízes):
"No sertão da Bahia, onde o cativeiro gritou,
O Cabula plantou semente, mas a fé não se calou.
Mestre Julião guiou, na mata o povo rezou,
Jogo dos Santos na palma, Encantado se revelou.
Cruz Santa no altar, sinhá não entendeu:
Cabula é missa negra, é mato, é céu, é chão de axé!"

Refrão:
"Ê, Cabula! Ê, jogo de São!
Na palma da mão, o santo dá lição.
Ê, Cabula! Ê, reza de pé!
O povo gira no terreiro, Encantado é quem sabe o que é!"

Verso 2 (Os Encantados):
"Maria Padilha na encruzilhada da fé,
Rei do Congo no comando, coroa de pé no chão.
São Jorge é Ogum, cavalo de batalha,
Santa Bárbara é Iansã, na chuva, no raio, na malha.
Caboclo Tupinambá dança com o Vodum,
No mesmo terreiro, o sangue é um só, sagrado e comum."

Ponte (Ritual e Resistência):
"Bate o ganzá, chama o povo pra girar,
No toque do tambor, o Encantado vai chegar.
Erva pra defumar, água da fonte sagrada,
Quem vem do Cabula não teme a madrugada.
Fuga da senzala, reza virou rebelião,
O quilombo do santo é nossa Constituição!"

Verso 3 (Perseguição e Fé):
"A igreja chamou heresia, o Estado chamou prisão,
Mas o Cabula é raiz, não tem medo de não.
Em 1912*, o povo tombou no chão,
Mas a semente do mestre virou flor no sertão.
Hoje na Umbanda, no Candomblé de ketu,
O Cabula é memória viva: «A luta não morreu!»"

Verso 4 (O Legado):
"Na feira de São Joaquim, na capela de massapê,
A benzedura cura, o pó da jurema é pé.
Cabula é tradição que a história apagou,
Mas no terreiro da favela, o Encantado resistiu e ficou.
Mãe Menininha, Mãe Stella, todo santo é irmão,
Cabula é Bahia, é Brasil, é chão de união!"

Refrão Final:
"Ê, Cabula! Ê, jogo de São!
Na palma da mão, o santo dá lição.
Ê, Cabula! Ê, reza de pé!
Cabula é povo, é mata, é chão de axé!"

(Outro: Coro de vozes em cadência lenta: "São Jorge me proteja, Cabula me guarda / Na palma da minha mão, a força não falta!")