Nzinga de Matamba
Canção –
“Nzinga Não Se Curva”
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Verso 1
Veio do ventre do Kwanza, com búzios no olhar. Sabia que trono não é ouro, é terra que sabe guardar. Não foi criada pra servir, mas pra decidir o rumo. Com um corpo de tempestade e uma palavra que valia um exército.
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Verso 2
Mandou fazer do criado cadeira, sentou com altivez africana. Enquanto rezavam latim, Nzinga falava em mandinga e gana. Trocou cruz por lança, trocou coroa por tambor. Governou com astúcia e pólvora, com espírito, ritmo e dor.
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Coro
Nzinga não se curva, Nzinga não ajoelha. Se o chão é do rei branco, ela pisa com estrela. Governa com espada, com reza, com flor, Nzinga é rainha que nunca se calou por amor.
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Verso 3
Criou quilombo sem ser Brasil, abrigou quem fugia das correntes. Fez de Matamba um grito vivo, com mulheres em todos os dentes. Ela não pediu permissão à história, ela riscou sua própria linha. E ao morrer com o cetro na mão, deixou herança para toda menina.
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Ponte
Não foi santa, nem mito, nem musa. Foi corpo preto no centro da luta. Foi passado que escreve o agora. Foi rainha que nunca foi embora.
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Coro final
Nzinga não se curva, Nzinga não ajoelha. Se o chão é do rei branco, ela pisa com estrela. Governa com espada, com reza, com flor, Nzinga é rainha que nunca se calou por amor. ________________________________________