Nísia Floresta
Canção original –
“Escrevo o que Não Me Deixam Dizer”
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Verso 1
No sertão nasceu menina, com sede de ler o mundo. No papel viu a saída, e no verbo, seu escudo. Falou alto entre os senhores, ousou escrever liberdade. Na escola fez rebeldia virar nome de verdade.
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Verso 2
Traduziu Mary com coragem, mas não só copiou ideia. Fez da tinta uma viagem, do Brasil até a Grécia. Nos livros, gritou por todas: negras, brancas, sem alarde. E nos bancos das escolas, desenhou outra cidade.
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Coro
Nísia Floresta, mulher do saber, levou a palavra a quem não podia ler. Na pena uma lança, na folha um poder, escrevo o que nunca me deixam dizer.
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Verso 3
Andou Roma, cruzou mares, mas falava do Brasil. Do Nordeste fez bandeira, da infância fez fuzil. Contra o padre, o fazendeiro, o silêncio e o esquecimento, a mulher virou sujeito na sala e no pensamento.
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Ponte
Não era santa, nem musa, nem flor, era verbo, era espada, era dor. Se a história apagou sua cor, hoje o tambor ressoa o seu amor.
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Coro final
Nísia Floresta, mulher do saber, levou a palavra a quem não podia ler. Na pena uma lança, na folha um poder, escrevo o que nunca me deixam dizer.
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