Notas Didáticas – Nísia Floresta

 



Nísia Floresta

🎯 A canção utiliza linguagem simbólica e acessível, equilibrando lirismo com crítica, ideal para adolescentes e jovens em contexto escolar. 

 🧠  Análise da Canção  

“Escrevo o que Não Me Deixam Dizer”

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Verso 1 No sertão nasceu menina, com sede de ler o mundo. Refere-se ao nascimento de Nísia em Papari, no interior do Rio Grande do Norte. A “sede de ler o mundo” aponta sua vocação precoce pela leitura e pelo conhecimento, mesmo sem incentivo formal. No papel viu a saída, e no verbo, seu escudo. Aqui a escrita é apresentada como ferramenta de emancipação. Nísia encontrou na palavra sua forma de lutar contra a opressão. Falou alto entre os senhores, ousou escrever liberdade. Destaca sua ousadia de publicar textos em plena sociedade patriarcal e escravocrata, enfrentando os homens da elite com ideias libertárias. Na escola fez rebeldia virar nome de verdade. Nísia transforma a educação em ato político. Não educava para domesticar, mas para libertar. Cada menina educada por ela era um gesto de rebeldia.

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Verso 2 Traduziu Mary com coragem, mas não só copiou ideia. Faz referência à sua adaptação da obra de Mary Wollstonecraft, que Nísia ampliou com reflexões próprias sobre a mulher no Brasil. Fez da tinta uma viagem, do Brasil até a Grécia. Indica a abrangência de sua obra e seus estudos — que iam do pensamento político ao clássico. Nísia escrevia com base em culturas diversas. Nos livros, gritou por todas: negras, brancas, sem alarde. Embora mulher branca, Nísia defendia o direito à educação para todas — sua escrita era inclusiva para além de sua própria posição social. E nos bancos das escolas, desenhou outra cidade. Ela reinventou o espaço escolar, criando currículos que valorizavam o pensamento crítico, algo impensável na época.

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Coro Nísia Floresta, mulher do saber, Afirma sua identidade como intelectual brasileira. Levou a palavra a quem não podia ler. Resume seu trabalho pedagógico em escolas femininas, dando acesso à educação formal para meninas excluídas. Na pena uma lança, na folha um poder, A escrita como arma política — seu estilo é militante, sua literatura tem função de transformação. Escrevo o que nunca me deixam dizer. Frase síntese da canção e da vida de Nísia: ela rompeu o silêncio imposto às mulheres, escrevendo onde não podia falar.

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Verso 3 Andou Roma, cruzou mares, mas falava do Brasil. Fala de suas viagens à Europa, onde estudou e publicou, mas sempre com foco nas questões brasileiras. Do Nordeste fez bandeira, da infância fez fuzil. Transforma suas origens e vivências em instrumento de luta — mesmo sua infância foi resistência. Contra o padre, o fazendeiro, o silêncio e o esquecimento, Critica o patriarcado, o colonialismo, a Igreja e a omissão histórica. A mulher virou sujeito na sala e no pensamento. Marca a revolução educacional proposta por Nísia: formar mulheres críticas, protagonistas.

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 Ponte Não era santa, nem musa, nem flor, Desconstrói os estereótipos femininos romantizados: Nísia era agente política, não figura decorativa. Era verbo, era espada, era dor. Três palavras fortes que condensam seu papel: pensadora, combatente e mulher marcada pela luta. Se a história apagou sua cor, Aponta para o apagamento histórico que sofreu — foi excluída dos currículos por ser mulher e radical. Hoje o tambor ressoa o seu amor. Afirma seu resgate pela oralidade e ancestralidade — AfroEduca a traz de volta como símbolo educativo.

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🎯 A canção traduz a trajetória de Nísia Floresta em linguagem poética, crítica e musicalizável, ideal para trabalhar em sala com profundidade e sensibilidade. 

 📚 Notas Didáticas – Nísia Floresta 

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📌 Objetivos pedagógicos gerais 

• Compreender o papel das mulheres intelectuais no Brasil do século XIX. 

• Reconhecer Nísia Floresta como precursora da educação crítica e da igualdade de gênero.

 • Estimular o pensamento feminista e anticolonial no contexto educacional. 

• Desenvolver análise crítica de letras poéticas com base histórica.

 • Relacionar a produção intelectual com o contexto político-social da época.

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 📘 Componentes curriculares (interdisciplinaridade) Disciplina Aplicações possíveis História Estudo do Brasil Império, formação da sociedade patriarcal e resistência das mulheres Língua Portuguesa Interpretação de texto poético e produção crítica com base histórica Arte Composição musical, encenação teatral, produção visual Filosofia Debate sobre liberdade, sujeito e cidadania Sociologia Gênero, exclusão e estruturas de poder no século XIX

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📘 Competências e habilidades da BNCC 

• EF08HI12: Identificar as principais ideias e movimentos políticos do século XIX, incluindo os primeiros debates feministas.

 • EF69AR17: Produzir obras artísticas com base em personagens históricos e temas sociais.

 • EF67LP24: Interpretar textos literários e poéticos com foco em crítica social e diversidade cultural. 

• EF09LP28: Analisar discursos poéticos em diferentes gêneros, relacionando com o contexto histórico e social.

 • EF08HI19: Valorizar diferentes sujeitos históricos na construção da sociedade brasileira.

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👩🏾🏫 Sugestões práticas para docentes

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📖 1. Oficina de leitura poética e biográfica Divida os alunos em grupos. Cada grupo deve explorar um verso da canção, conectando-o com trechos da biografia ou de livros reais de Nísia. O exercício pode ser feito com mapa mental, cartaz ou apresentação oral.

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 🗣️ 2. Debate: “Educar é um ato político?” Levante com a turma o papel de Nísia como educadora crítica. Pergunte: o que muda quando meninas aprendem filosofia, ciência e literatura? A escola ainda limita as mulheres hoje?

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🎭 3. Encenação ou podcast histórico Criar uma peça curta ou podcast dramatizado com trechos da vida de Nísia, especialmente momentos como: • A publicação de seu primeiro livro • A fundação de sua escola no Rio de Janeiro • A resposta da sociedade conservadora às suas ideias

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🎨 4. Produção artística: “Retrato de uma pensadora” Cada aluno pode desenhar, pintar ou colar elementos que representem visualmente quem foi Nísia Floresta. O objetivo é mostrar sua força além da imagem “delicada” imposta às mulheres do século XIX.

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🧠 5. Conexão com outras figuras femininas Comparar Nísia com outras personagens do AfroEduca, como Antonieta de Barros, Esperança Garcia, ou mesmo com Nzinga — mostrando múltiplas formas de pensamento e resistência feminina (política, militar, educacional).

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 ✅ Essa proposta permite trabalhar temas de gênero, história crítica e produção cultural a partir de uma mulher que foi injustamente apagada — resgatando-a com profundidade e criatividade.