Aqualtune
Verso 1
Na serra, o vento conta um nome, Aqualtune,
mão que amarra o medo, olho que vê o lume;
mulher negra, século dezessete em Palmares,
faz da noite abrigo e do amanhã seus lares.
Refrão
Ergue a paliçada, chama a lua e a roça,
quem chega encontra pão, conselho e força;
de Kongo a Serra da Barriga, o peito assume:
livre se vive no mocambo de Aqualtune.
Verso 2
Gente dispersa vira povo em seu caminho,
ela reparte a terra, afasta o desalinho;
quando o tambor avisa, cada um sabe o que é,
defesa é rede, é braço, é fé.
Ponte
Dizem princesa, dizem mito, dizem mar,
documento é pouco, mas não cala o seu lugar;
mulher negra, no Brasil, faz do mundo costume,
governa a noite no mocambo de Aqualtune.
Refrão final
Ergue a paliçada, chama a lua e a roça,
quem chega encontra pão, conselho e força;
na Capitania de Pernambuco, o sonho assume:
livre se vive no mocambo de Aqualtune.