JUSTINA MARIA DA CONCEIÇÃO
Notas Didáticas –
Análise verso a verso
Verso 1
🔍 "Na beira do mato, nasceu liberdade" — Sugere o nascimento de uma liberdade à margem da sociedade oficial, em espaços periféricos como os quilombos.
🔍 "Justina sem dono, só dignidade" — Reafirma a autonomia de Justina e a dignidade reconquistada após a escravidão.
🔍 "Fez da partilha seu chão e missão" — Reflete a prática de dividir terras e recursos na comunidade fundada por ela.
🔍 "Plantou esperança com as próprias mãos" — Destaca o protagonismo de Justina na construção de um futuro coletivo.
Verso 2
🔍 "Mulher de axé, de reza e tambor" — Situa Justina no universo das religiões afro-brasileiras, como guardiã da ancestralidade.
🔍 "Curava ferida, semeava amor" — Alude ao uso de ervas medicinais e práticas de cuidado.
🔍 "Com livro e com folha, com fé e com voz" — Une o conhecimento letrado e ancestral como instrumentos de emancipação.
🔍 "Fez do quilombo um lar pra nós" — Afirma o espaço comunitário como um refúgio de afeto e resistência.
Ponte
🔍 "Não pediu favor nem permissão" — Justina age com autonomia política, sem esperar concessões do Estado.
🔍 "Construiu o mundo com o coração" — A construção coletiva é guiada pelo afeto e pertencimento.
🔍 "No Maranhão, fez revolução" — Localiza sua ação como um ato de transformação social real.
🔍 "Na palma da mão, na força da união" — Traz a ideia de poder popular na simplicidade e no coletivo.
Refrão
🔍 "É o terreiro de Justina a brilhar" — O terreiro vira símbolo central de memória e luz ancestral.
🔍 "Luz ancestral que não vai se apagar" — Ressalta a herança espiritual que perdura.
🔍 "Cada criança que aprende a escrever / Carrega o sonho que ela fez crescer" — Valoriza a educação como legado e libertação.
Verso 3
🔍 "Entre mutirão, roçado e saber" — Enumera os pilares do cotidiano coletivo: trabalho, alimento e conhecimento.
🔍 "Fez do silêncio seu jeito de vencer" — Evoca a resistência silenciosa e firme das mulheres negras.
🔍 "Sabedoria passada no olhar" — O saber é transmitido oralmente e pelo exemplo.
🔍 "Memória viva a nos guiar" — Justina é guia espiritual e histórica para as novas gerações.
Refrão final
🔍 "No tambor da memória a ecoar" — A música e a cultura oral perpetuam sua história.
🔍 "Cada mulher que ousa resistir / É Justina a se expandir" — Estabelece Justina como símbolo de toda mulher negra que resiste.
Plano Didático – BNCC – Justina Maria da Conceição
Objetivos de Aprendizagem:
- Reconhecer o papel das mulheres negras na
história do Brasil, com foco em lideranças comunitárias como Justina Maria da
Conceição.
- Valorizar as práticas de resistência, solidariedade e educação popular
desenvolvidas por comunidades afro-brasileiras no século XIX.
- Refletir sobre a importância da memória coletiva, dos saberes ancestrais e da
organização comunitária como formas de resistência.
Habilidades da BNCC:
História – EF05HI07 – Analisar diferentes
formas de resistência à escravidão e suas consequências.
História – EF06HI08 – Identificar sujeitos históricos que lutaram por direitos
sociais no Brasil.
Língua Portuguesa – EF15LP06 – Reconhecer temas sociais em textos poéticos e
músicas, desenvolvendo interpretação crítica.
Ensino Religioso – EF06ER05 – Identificar expressões de religiosidade e
espiritualidade nas culturas afro-brasileiras.
Sugestões de Atividades para Sala de Aula:
- Análise de letra de música: trabalho coletivo
de interpretação da música "Terreiro de Justina".
- Linha do Tempo: construção de uma linha do tempo sobre a escravidão e
pós-abolição.
- Roda de Conversa: debate sobre o papel das mulheres negras.
- Oficina de Saberes Populares: atividade prática sobre uso de ervas
medicinais.
- Produção Textual: redação de uma carta para Justina Maria da Conceição.
Conclusão Didática:
O estudo sobre Justina Maria da Conceição
permite aos estudantes refletirem sobre como a resistência negra se construiu
para além das grandes figuras conhecidas, alcançando mulheres anônimas que
foram líderes em seus territórios. Ao trabalhar essa temática, o projeto
AfroEduca Sounds amplia o repertório histórico dos alunos e fortalece uma
educação antirracista, afrocentrada e humanizadora.