JUSTINA MARIA DA CONCEIÇÃO
Biografia
Justina Maria da Conceição foi uma mulher negra liberta que viveu no Maranhão durante o século XIX. Seu nome não figura com destaque nos livros tradicionais de história, mas seu legado ecoa como exemplo de resistência, dignidade e organização comunitária. Nascida em condição de escravidão, Justina conquistou sua liberdade ainda jovem e, ao invés de se retirar para uma vida de sobrevivência solitária, escolheu lutar pela autonomia coletiva dos seus pares.
Assentada na região de Itapecuru-Mirim, fundou uma pequena comunidade de negros libertos, onde organizava a partilha de terras, promovia mutirões agrícolas e incentivava a alfabetização de crianças e adultos. Era vista como matriarca e conselheira, atuando com base em valores afrocentrados de solidariedade, respeito aos mais velhos e cuidado coletivo.
Relatos orais indicam que Justina dominava o uso de ervas medicinais e articulava redes de apoio com mulheres de outras regiões, criando alianças que garantiram a manutenção da liberdade e da cultura negra após a abolição. Seu terreiro era também espaço de reza, tambor e ensinamento. Ela foi uma das primeiras lideranças populares a desafiar a ausência do Estado com soluções coletivas autônomas e baseadas no saber ancestral.
Justina não deixou escritos próprios, mas sua existência resiste nas memórias do povo e em documentos fragmentados que indicam sua importância como figura central na formação de quilombos urbanos e periurbanos no Maranhão. Morreu já idosa, cercada de afeto e gratidão de seu povo. Hoje, é reverenciada como ancestral viva e inspiradora de projetos de educação popular e resistência negra.