Mestre Didi (BA)

 



Mestre Didi

📖 Biografia

 Deoscóredes Maximiliano dos Santos, conhecido como Mestre Didi, nasceu em Salvador, Bahia, no dia 2 de agosto de 1917. Filho de Maria Bibiana do Espírito Santo, renomada ialorixá do candomblé, desde cedo foi imerso na rica tradição espiritual e cultural afro-brasileira. Ainda menino, foi iniciado nos ritos do candomblé nagô e cresceu em contato com os fundamentos da religião, aprendendo com grandes sacerdotes e líderes espirituais. 

Combinando fé, arte e intelecto, Mestre Didi se destacou como sacerdote, escritor, escultor e pesquisador da ancestralidade africana. Suas esculturas eram feitas com materiais simbólicos como palha da costa, búzios, madeira sagrada e contas, evocando os orixás, os eguns e elementos sagrados da cosmologia iorubá. Esses trabalhos não eram apenas expressões estéticas, mas verdadeiros objetos de culto, integrando arte e espiritualidade em uma mesma obra. 

Como escritor, publicou livros essenciais para o entendimento da cultura afro-brasileira, como "Os Nagô e a Morte" (1977), obra seminal sobre a relação entre ancestralidade e morte nas tradições africanas, e "Contos Negros da Bahia", onde transmitiu oralidades de matriz africana em forma literária. Seus escritos foram referência em universidades, centros culturais e espaços religiosos no Brasil e no exterior. 

Em 1980, fundou o Ilê Asipá, casa dedicada ao culto aos ancestrais (Egungun), única em sua linhagem nagô no Brasil. O espaço tornou-se centro de formação religiosa e de preservação de saberes tradicionais, além de ponto de diálogo entre espiritualidade e arte. 

Reconhecido internacionalmente, Mestre Didi participou de conferências na África, Europa e Américas, sendo homenageado por museus e instituições acadêmicas. Suas obras integram coleções permanentes em museus como o Museu Afro Brasil (SP) e instituições internacionais de arte africana. 

Mestre Didi faleceu em 6 de outubro de 2013, aos 95 anos. Deixou como herança uma trajetória de resistência, valorização da herança africana e afirmação do sagrado negro no Brasil. Seu legado continua vivo em cada objeto de axé, em cada palavra preservada e em cada terreiro que honra a ancestralidade.