Maria Felipa de Oliveira
Maria Felipa de Oliveira: A Heroína Negra da Independência da Bahia
Descrição:
"Nas costas da Ilha de Itaparica, na Bahia, uma mulher negra, pescadora e corajosa escreveu seu nome na história do Brasil com fogo e determinação. Maria Felipa de Oliveira não apenas lutou pela independência de sua terra, mas se tornou um símbolo de resistência e liderança feminina em uma época em que as mulheres, especialmente as negras, eram invisibilizadas.
Em 1822, enquanto o Brasil lutava por sua independência de Portugal, Maria Felipa organizou um grupo de mulheres negras, indígenas e pescadoras para defender sua comunidade. Com urtigas (plantas que causam ardência) e táticas engenhosas, atacaram embarcações portuguesas, incendiaram navios e espalharam o caos entre as forças coloniais. Sua coragem e astúcia foram fundamentais para assegurar a vitória baiana e, com ela, a consolidação da independência do Brasil.
Maria Felipa não foi apenas uma guerreira, mas também uma líder que inspirou sua comunidade a acreditar na possibilidade de um futuro livre. Hoje, seu legado vive nas mulheres que lutam por justiça social, igualdade e reconhecimento de seus direitos.
«Maria Felipa não esperou por heróis: ela se tornou um.»
Nesta página, você descobrirá sua história, seu impacto na independência da Bahia e como seu espírito de luta segue vivo nas mulheres que transformam o Brasil hoje."
Maria Felipa de Oliveira
Maria Felipa de Oliveira foi uma das heroínas negras mais importantes da Independência do Brasil na Bahia, embora por muito tempo tenha sido ignorada pelos registros oficiais. Moradora da Ilha de Itaparica, no Recôncavo Baiano, ela participou ativamente das lutas contra os portugueses no início do século XIX, destacando-se por sua coragem, inteligência estratégica e liderança comunitária.
De origem africana, Maria Felipa era marisqueira e catadora de algas — uma ocupação comum entre as mulheres negras da ilha. Era também capoeirista e conhecedora de técnicas de defesa corporal, o que lhe conferia respeito e autoridade. Sua inserção no cotidiano da vila, ao lado de outras mulheres, foi fundamental para a resistência local contra as tropas coloniais.
Durante as batalhas pela independência da Bahia, por volta de 1822-1823, Maria Felipa organizou um grupo de cerca de 40 mulheres negras, indígenas e pescadoras. Elas ficaram conhecidas por sua atuação decisiva em sabotagens contra os portugueses. Em uma das ações mais emblemáticas, incendiaram cerca de 40 embarcações lusitanas ancoradas na costa, utilizando-se de táticas de distração, sedução e força bruta. O ataque ficou famoso porque, segundo relatos, as mulheres usaram folhas de cansanção (uma planta urticante) para chicotear os soldados e expulsá-los da ilha.
Esse ato de resistência contribuiu diretamente para o enfraquecimento das forças coloniais na região e para a posterior vitória das tropas brasileiras lideradas por Maria Quitéria, Labatut e outros. Ainda assim, o nome de Maria Felipa foi silenciado por muito tempo — diferente de figuras brancas que foram celebradas como heroínas nacionais.
Recentemente, graças ao movimento negro e à luta por memória histórica, Maria Felipa vem sendo reconhecida como símbolo da resistência popular negra e feminina. Sua imagem representa a força invisibilizada de tantas mulheres afrodescendentes que lutaram pela liberdade do Brasil, muitas vezes sem armas, mas com estratégia, coragem e sabedoria ancestral.
Hoje, ela é homenageada em escolas, projetos culturais e na memória viva do povo baiano. Seu legado ressurge como símbolo de empoderamento, afrodescendência e protagonismo feminino nas lutas por justiça e liberdade.