Joana Angélica (BA)

 



Joana Angélica

🙏🏽 Biografia – Joana Angélica (BA)

 Joana Angélica de Jesus nasceu em Salvador, na então capitania da Bahia, em 12 de dezembro de 1761. Desde jovem, sentiu-se chamada à vida religiosa e, com apenas 20 anos, ingressou no Convento da Lapa, da Ordem das Religiosas Reformadas de Nossa Senhora da Conceição. Ali fez seus votos e tornou-se freira, assumindo um papel de liderança espiritual e comunitária. Com o tempo, foi nomeada abadessa, cargo que a colocaria no centro de um dos episódios mais emblemáticos da luta pela independência na Bahia. 

Conhecida por sua firmeza de caráter e dedicação às irmãs do convento, Joana Angélica era respeitada não apenas pelas religiosas, mas também pela população de Salvador, que via nela um símbolo de moralidade, compaixão e autoridade ética. Mesmo enclausurada, acompanhava com atenção os acontecimentos políticos de sua época, especialmente a crescente tensão entre os brasileiros que defendiam a independência e as tropas portuguesas que ocupavam a cidade. 

Na manhã de 19 de fevereiro de 1822, as tropas portuguesas tentaram invadir o Convento da Lapa, alegando que ali estariam escondidos revolucionários brasileiros. Joana Angélica, como superiora do convento, posicionou-se diante do portão principal e tentou impedir a entrada dos soldados. Sem portar armas, com o corpo e a palavra como única defesa, ela declarou que o local era sagrado e que os militares não deveriam profaná-lo. Mesmo assim, foi brutalmente assassinada a baionetadas na entrada do convento, diante das freiras e alunas do internato.

 Seu assassinato causou comoção imediata em Salvador. A imagem de uma mulher religiosa, desarmada, sendo morta por soldados invasores transformou-se em símbolo do sacrifício em nome da liberdade. Joana Angélica tornou-se mártir da resistência popular baiana, sendo lembrada por lideranças religiosas, políticas e populares como exemplo de coragem moral. Sua morte acirrou os ânimos contra os portugueses e fortaleceu o movimento pela independência. 

Hoje, Joana Angélica é considerada heroína da Independência da Bahia. Seu nome batiza ruas, escolas, instituições e praças em todo o estado. Mais do que uma freira, sua história representa a resistência de todas as mulheres que, mesmo sem armas, enfrentaram o autoritarismo com dignidade. Sua memória segue viva como símbolo de fé, coragem e amor à liberdade.