Guerra de Canudos
"Sertão Sangrado"
Verso 1 (A Profecia do Conselheiro):
"Nas veredas do Nordeste, o sol rachou o chão,
Antônio Vicente* ergueu a cruz da rebelião.
«O sertão vai virar mar, o mar virar sertão»,
Belo Monte floresceu no coração do ermitão.
Sem rei, sem coronel, sem doutor pra pagar,
Canudos virou farol pro povo se libertar!"
Refrão:
"Ê, Conselheiro! Ê, povo sem medo!
No arraial da fé, o Brasil que o Brasil rejeitou.
Ê, Canudos! Ê, chão de guerra!
A bala matou o sonho, mas a sambaia** não morreu na terra!"
Verso 2 (A Utopia Sertaneja):
"Farinha compartilhada, igreja de taipa e luz,
Negro, caboclo, indígena: todo mundo é Jesus.
A República chegou com impostos e rifle,
Mas no sertão de Antônio, o povo não dobrou a espinha.
«Nem todo soldado é vilão», mas a guerra não escolhe,
Quatro expedições caíram, o sertão virou faroeste!"
Ponte (O Massacre):
"Euclides*** escreveu o sangue, mas não viu o lamento:
Três Vendas****, 25 mil mortos, até criança no chão.
O exército queimou a história, a imprensa aplaudiu,
Mas a foto de um menino nu***** pro mundo nunca esqueceu!"
Verso 3 (O Legado de Sangue):
"Hoje o açude secou, mas a seca é de justiça,
No sertão de Lula, de Padre Cícero, de Marielle, a farsa continua.
Mas na favela que resiste, na ocupação do MST,
Canudos vive no grito: «Terra sem dono é pra quem nela crê!»"
Verso 4 (Canudos Contemporâneo):
"Nas quebradas do Rio, nas ocupações do Ceará,
O Conselheiro é mulher, é preto, é LGBTQIAP+.
O Estado ainda atira, mas a bala não cala o sertão,
Porque Belo Monte é raiz, é luta, é multidão!"
Refrão Final:
"Ê, Conselheiro! Ê, povo sem medo!
No arraial da fé, o Brasil que o Brasil rejeitou.
Ê, Canudos! Ê, chão de guerra!
A bala matou o sonho, mas a sambaia não morreu na terra!"
(Outro: Voz feminina recitando trechos de "Os Sertões" sobre um solo de pífano triste)