Dandara dos Palmares
"Dandara: Guerreira sem Coroa"
(Instrumental: Berimbau, atabaques, tambores de samba-reggae e coros femininos poderosos)
Verso 1 (A Lenda):
"Na Serra da Barriga, onde o Quilombo brotou,
Dandara não foi sombra, foi raio que cortou.
Esposa de Zumbi? Não, irmã de batalha,
Na capoeira do mato, ela deu no couro na talha.
Com filho no colo e facão na cintura,
Ensino a menina: «Na guerra, postura é armadura!»
Palmares não caiu enquanto ela plantou,
Mulher negra é raiz que o fogo não queimará!"
Refrão:
"Ê, Dandara! Ê, Dandara!
Guerreira sem coroa, mas com a lança de Oyá!
Ê, Dandara! Ê, Dandara!
Do quilombo à periferia, ela é a nossa Yaá*!"
Verso 2 (A Estrategista):
"Nas táticas de guerra, ela foi general,
Sabia o terreno, a lua, o vento, o mal.
Ensinou a meninada a ler o céu e o chão,
«Não basta ter força, tem que ter visão!».
Na colheita do milho, na forja do metal,
Dandara fez de Palmares um país original.
Quando o cansaço vinha, ela dizia em iorubá:
«Amanhã a luta começa, mas hoje a gente já vai lá!»"
Ponte (O Amor e a Guerra):
"Zumbi no campo, ela na retaguarda,
Amor de quilombo é amor que não se guarda.
Três filhos criou entre espadas e cantigas,
Na rede de palha, ela sonhava: «Liberdade é infinita»."
Verso 3 (A Queda e o Legado):
"1694, o exército cercou,
Dandara na linha de frente, mas a traição chegou.
Prefere morrer livre que viver na prisão,
No abismo da serra, ela escolheu a queda como canção.
Mas dizem que ela voou, virou vento, virou anzol,
Hoje é Maria Felipa**, é Tereza de Benguela***, é Carolina de Jesus no papel!"
Verso 4 (Dandara Contemporânea):
"Na marcha das negras, no bloco afro, no terreiro,
Dandara é mãe solo lutando pelo lote inteiro.
Na enxada do MST, na caneta da professora,
Na poeta marginal, na enfermeira, na cobra criadora.
Se o mundo é um quilombo, ela é a guardiã,
E cada trança no cabelo é um mapa de resistência pra guiar!"
Refrão Final:
"Ê, Dandara! Ê, Dandara!
Guerreira sem coroa, mas com a lança de Oyá!
Ê, Dandara! Ê, Dandara!
Do passado ao presente, ela é a nossa Yaá!"
(Outro: Coro de vozes repetindo "Dandara vive!" em cadência crescente, com batida de atabaque acelerada)