Abolição da Escravidão
"Liberdade no Sangue"
(Intro: Batida pesada, berimbau ecoando)
Verso 1:
"Terra de cana, suor no facão,
Correntes no pulso, mas não no coração.
Navio negreiro cruzou o Atlântico,
Mas a chama da rebeldia é um fogo anticlérico.
Senzalas gritam, Zumbi não calou,
Palmares resistiu, o Quilombo levantou.
Ganga Zumba à frente, mas a luta seguiu,
Dandara na linha, o sangue fortaleceu.
Refrão:
"Liberdade! Não é dádiva, é conquista,
Da senzala à favela, a vitória é mais tristeza.
Lei Áurea veio, mas a chaga ficou,
Abolição sem reparo? O povo sangrou."
Verso 2:
"1800, pressão lá de fora,
Inglaterra quer mercado, mas a elite ignora.
Luís Gama na tribuna, voz de fogo e direito,
Advogado da raça, processando o preconceito.
1871, Ventre Livre na lei,
Mas mãe negra chorou: 'Meu filho não é rei?'
1888, Isabel assinou,
Mas foi mão negra que a caneta guiou."
Ponte:
"Capoeira virou arte, kalunga virou chão,
Cultura resiste, mesmo na opressão.
Do Cafundó à Umbanda, o axé não parou,
Sangue de guerreiro no samba ecoou."
Verso 3:
"Hoje o chicote é verbal, a senzala é mental,
Abolição incompleta, o racismo é real.
Mas a luta de João Cândido* não foi em vão,
Da Revolta da Chibata à favela, é o mesmo pavão.
A história não apaga, a memória vai doer,
Mas o futuro a gente escreve com o punho erguido pra vencer."
Refrão Final:
"Liberdade! Não é verso, é espinha dorsal,
Da África ao Brasil, o nosso sangue é igual.
Abolição foi ontem, mas a luta é agora,
Justiça no presente pra fechar a ferida aberta na história."
(Outro: Tambores e voz em coro: "Ê, liberdade!")