Revolta do Queimado
– Revolta do Queimado (ES, 1849) –
Rebelião Negra por Liberdade e Dignidade
A Revolta do Queimado foi um dos mais importantes levantes de negros escravizados e libertos na história do Espírito Santo. Ocorreu em 1849, na região de Queimado, atual município de Serra, próximo a Vitória.
O contexto histórico era de extrema opressão. No pós-Independência, mesmo com as promessas de liberdade e cidadania, os negros continuavam subjugados. Naquela época, era comum prometer alforria a escravizados que construíssem obras públicas, mas os senhores frequentemente descumpriam essas promessas.
A revolta teve como participantes principais líderes negros, tanto escravizados quanto libertos, que se uniram contra a opressão. Dois nomes se destacam: Elisiário, um ex-escravizado, e João da Viúva, ambos apontados como lideranças organizadoras.
O estopim da revolta foi a construção da Igreja de Nossa Senhora da Penha, na região de Queimado. Muitos negros trabalharam forçados na obra com a promessa de liberdade, mas ao término, a promessa foi quebrada.
A insatisfação virou organização. A revolta explodiu em 1849, com centenas de negros reunidos, armados com ferramentas agrícolas, paus e pedras. Mesmo enfrentando forças armadas superiores, resistiram bravamente por dias.
Após a repressão, muitos foram mortos, presos ou deportados. A memória da Revolta do Queimado tornou-se um símbolo de resistência negra capixaba.
Hoje, é reconhecida como patrimônio histórico da luta por liberdade no Brasil, sendo homenageada em pesquisas, livros, músicas e nas comunidades quilombolas da região.