Quilombo do Campo Grande
🪶 Biografia Simbólica – Quilombo do Campo Grande (MG)
(século
XVIII – território de resistência negra no centro-sul do Brasil)
O
Quilombo do Campo Grande foi muito mais do que um refúgio de escravizados
fugitivos: foi uma nação negra em pleno coração das Minas Gerais. Localizado na
região do atual município de Campos das Vertentes, próximo a São João del-Rei e
ao Rio das Mortes, este quilombo floresceu entre montanhas e matas, onde o
cerrado encontra a mata atlântica. Seus habitantes, majoritariamente de origem
banto, ergueram uma sociedade plural, com estrutura própria de liderança,
justiça, espiritualidade e cultura.
Formado
por africanos escravizados que fugiam das minas de ouro e das fazendas, o
Quilombo do Campo Grande reunia centenas de pessoas que compartilhavam a dor da
escravidão, mas também o sonho de liberdade. Criaram roças comunitárias, redes
de proteção, e se organizavam em núcleos familiares, confrarias religiosas e
conselhos de anciãos. A oralidade e os cantos rituais preservavam as raízes
africanas, enquanto a terra alimentava os corpos e fortalecia a autonomia do
quilombo.
Apesar
das constantes ameaças e das expedições de bandeirantes e capitães do mato, o
Campo Grande resistiu por décadas. Suas estratégias incluíam alianças com
outros quilombos, informações trocadas por mulheres quilombolas em mercados e
igrejas, e a sabedoria dos mais velhos para prever ataques e preparar
emboscadas. O território era conhecido por sua fertilidade e pelas lavouras bem
cuidadas, contrastando com a imagem preconceituosa de "desordem" que
os colonizadores tentavam impor.
A memória do Quilombo do Campo Grande sobrevive em lendas locais, nas famílias negras da região e nos movimentos quilombolas contemporâneos que reivindicam a ancestralidade como força política. Hoje, o nome “Campo Grande” ecoa como símbolo de coragem, solidariedade e resistência afro-brasileira, reavivado por quilombolas urbanos e rurais que continuam a luta pela terra e pela dignidade herdada dos que resistiram.