Notas Didáticas Pacífico Licutan

 



Pacífico Licutan

📑 Análise da Música

  • Verso 1: introduz a imagem de Salvador como cenário histórico; reforça a resistência pessoal de Licutan.
  • Coro: celebração da memória de Licutan como líder espiritual e símbolo de liberdade.
  • Verso 2: contextualiza a Revolta dos Malês com data, elementos religiosos e papel de liderança.
  • Ponte: metáfora poderosa sobre quebrar correntes → ideal para discussão sobre libertação física e simbólica.
  • Verso 3: reforça o legado pós-revolta, transformando Pacífico em símbolo coletivo de resistência.
  • Outro: encerra de forma poética, reforçando Salvador como espaço de memória viva.

📚 Relação com a BNCC

  • EF07HI01: Identificar diferentes sujeitos históricos e suas formas de atuação.
  • EF08HI03: Analisar movimentos de contestação à ordem escravista no Brasil.
  • EF07HI07: Discutir a presença de populações africanas e seus legados culturais.
  • EF09HI04: Avaliar mecanismos de repressão e resistência no Brasil imperial.
  • EM13CHS502: Discutir o papel da fé, cultura e organização comunitária na formação da identidade e da luta por cidadania.

💡 Sugestões de Atividades Didáticas

  1. Linha do Tempo Ilustrada: alunos marcam 1835 e desenham os eventos da Revolta dos Malês.
  2. Leitura Dramática: dividir a turma em grupos para recitar cada verso com percussão ou palmas.
  3. Debate: “Correntes se quebram, mas a luta continua” → discutir permanência das desigualdades raciais.
  4. Mapa de Salvador: identificar pontos históricos ligados à revolta e criar um tour imaginário.
  5. Produção Criativa: pedir aos alunos para escrever uma carta ou poema como se fossem um malê naquela noite.

Guia de Estudos Detalhado: Pacífico Licutan e a Revolta dos Malês

Este guia de estudos foi elaborado para revisar sua compreensão sobre Pacífico Licutan e a Revolta dos Malês, utilizando o material fonte fornecido.

Questionário (10 Perguntas de Resposta Curta)

Instruções: Responda a cada pergunta em 2-3 frases, com base no material fornecido.

Quem foi Pacífico Licutan e qual era sua importância para a comunidade Malê em Salvador?

De que forma a fé islâmica de Pacífico Licutan se manifestava em sua liderança e atividades na comunidade?

Qual foi o objetivo principal da Revolta dos Malês de 1835, e quem eram os principais grupos étnicos envolvidos?

Como a disciplina religiosa dos muçulmanos contribuiu para a organização militar dos insurgentes na Revolta dos Malês?

Por que a Revolta dos Malês, apesar de ambiciosa, acabou sendo derrotada pelas autoridades coloniais?

Qual foi o destino de Pacífico Licutan após a Revolta, e por que sua punição foi diferente da de outros líderes?

De acordo com a "Análise da Música", qual é a metáfora principal abordada na "Ponte" da canção "A Voz de Licutan"?

Como a canção "A Voz de Licutan" utiliza o Coro para reforçar a memória e o legado de Pacífico Licutan?

O que a BNCC EF08HI03 propõe que os alunos sejam capazes de fazer ao estudar temas como a Revolta dos Malês?

Cite uma das "Sugestões de Atividades Didáticas" que foca na expressão criativa dos alunos em relação ao tema.

Gabarito do Questionário

Pacífico Licutan foi um africano nagô, muçulmano, escravizado na Bahia. Ele era uma referência de liderança religiosa e moral para os malês, ensinando o Alcorão e organizando encontros de solidariedade e resistência.

Sua fé islâmica se manifestava através do conhecimento do árabe, do ensino dos princípios do Islã e da organização de encontros que fortaleciam os laços culturais e espirituais da comunidade. A disciplina muçulmana serviu como base para a organização dos revoltosos.

O objetivo principal era libertar os cativos, derrotar a guarda colonial, tomar o controle de Salvador e instaurar uma nova ordem social. Os principais grupos étnicos envolvidos eram muçulmanos nagôs e hauçás.

A disciplina muçulmana, cultivada em orações coletivas, serviu como base para a organização militar da revolta. Isso demonstrava a determinação de um povo que se recusava a aceitar o cativeiro.

A Revolta dos Malês foi derrotada porque denúncias anteciparam o movimento às autoridades. Apesar da bravura dos insurgentes, eles foram superados pela força militar da província.

Pacífico Licutan foi preso, condenado a açoites públicos e prisão, e não executado como outros líderes. Essa punição visava quebrar sua autoridade diante da comunidade, mas seu nome se tornou um símbolo de insurreição.

A "Ponte" da canção "A Voz de Licutan" aborda a metáfora poderosa de "As correntes se quebram, mas a luta continua". Isso é ideal para discutir a libertação física e simbólica, e a permanência das desigualdades.

O Coro da canção, "Oh, Pacífico, Pacífico, Líder dos corações livres, Tua voz ainda vive", celebra a memória de Licutan. Ele é apresentado como líder espiritual e um símbolo duradouro de liberdade.

A BNCC EF08HI03 propõe que os alunos analisem movimentos de contestação à ordem escravista no Brasil. Isso inclui compreender as motivações, a organização e o impacto de revoltas como a dos Malês.

Uma das sugestões é a "Produção Criativa", onde os alunos podem escrever uma carta ou poema. Eles devem se colocar no lugar de um malê na noite da revolta, explorando suas emoções e perspectivas.

Sugestões de Perguntas em Formato de Ensaio

Discuta a complexa intersecção entre fé, liderança e resistência na figura de Pacífico Licutan e na organização da Revolta dos Malês. Como a espiritualidade islâmica forneceu tanto a base moral quanto a estrutura para a ação política?

Analise o legado de Pacífico Licutan e da Revolta dos Malês para a história do Brasil, especialmente no que tange à luta contra a escravidão e a afirmação da identidade africana. Como essa história continua a ressoar nos dias atuais, conforme sugerido pela BNCC e pela música "A Voz de Licutan"?

Compare a descrição da "Biografia de Pacífico Licutan" com a interpretação da sua figura na canção "A Voz de Licutan". Quais elementos são enfatizados em cada fonte e como a música contribui para a construção de um personagem histórico e inspirador?

A Revolta dos Malês é descrita como "a maior insurreição de africanos escravizados no Brasil". Com base nos detalhes fornecidos sobre o planejamento, organização e objetivos da revolta, discuta o que torna este evento tão significativo e por que ele é um marco na história da resistência escrava.

Considerando a relação do material com a BNCC e as "Sugestões de Atividades Didáticas", proponha um plano de aula de 50 minutos que explore a Revolta dos Malês, integrando a música "A Voz de Licutan" e uma das atividades didáticas sugeridas, justificando suas escolhas pedagógicas.

Glossário de Termos-Chave

Africano Nagô: Grupo étnico de origem iorubá, majoritariamente da região onde hoje é a Nigéria e Benim, que foi escravizado e trazido para o Brasil, especialmente para a Bahia.

Malês: Termo utilizado no Brasil para se referir aos africanos muçulmanos, geralmente de etnias nagô e hauçá, que se destacavam por sua religiosidade e organização.

Alcorão: O livro sagrado do Islã, considerado pelos muçulmanos como a palavra literal de Deus (Allah) revelada ao profeta Maomé.

Revolta dos Malês (1835): A maior insurreição de africanos escravizados no Brasil, ocorrida em Salvador, Bahia, em 25 de janeiro de 1835, liderada por muçulmanos com o objetivo de libertar os cativos e instaurar uma nova ordem.

Salvador: Capital da Bahia, cidade histórica que foi palco de importantes eventos do período colonial e imperial brasileiro, incluindo a Revolta dos Malês.

Cativeiro: Condição de escravidão, privação de liberdade.

Insurreição: Revolta, levante armado, rebelião contra a autoridade estabelecida.

Guarda Colonial: Forças militares ou policiais a serviço da administração colonial, responsáveis pela manutenção da ordem e repressão a revoltas.

Água de Meninos: Um dos locais em Salvador onde ocorreram batalhas durante a Revolta dos Malês.

Túnicas Brancas: Vestimentas brancas usadas pelos insurgentes malês durante a revolta, que tinham significado religioso e simbólico.

BNCC (Base Nacional Comum Curricular): Documento normativo que define o conjunto de aprendizagens essenciais que todos os alunos devem desenvolver na Educação Básica no Brasil.

EF07HI01, EF08HI03, etc.: Códigos da BNCC que indicam habilidades específicas a serem desenvolvidas em História nos Ensinos Fundamental (EF) e Médio (EM).

AfroEduca: Nome da entidade responsável pela criação da música "A Voz de Licutan" como ferramenta pedagógica.

Legado: Herança ou influência duradoura de uma pessoa ou evento no futuro.

 

Linha do Tempo da Revolta dos Malês e a Vida de Pacífico Licutan

Esta linha do tempo detalha os principais eventos relacionados a Pacífico Licutan e à Revolta dos Malês, conforme descrito nas fontes fornecidas.

Data Indeterminada (Antes de 1835): Chegada de Pacífico Licutan à Bahia

Pacífico Licutan, um africano nagô e muçulmano, chega à Bahia como escravizado.

Ele se estabelece na comunidade dos malês em Salvador, formada por africanos muçulmanos que se reuniam para orações, estudo do Alcorão e fortalecimento de laços culturais e espirituais.

Licutan, conhecedor do árabe, torna-se uma figura de liderança religiosa e moral, ensinando os princípios da fé islâmica e organizando encontros de solidariedade, resistência e preservação cultural.

Mesmo em cativeiro, ele mantém sua dignidade e inspira outros africanos a combater a escravidão, sendo respeitado pela serenidade e coragem.

Sua vida é marcada por trabalhos humildes e pequenos serviços, mas ele acumula o respeito da comunidade.

Madrugada de 25 de janeiro de 1835: A Revolta dos Malês

A maior insurreição de africanos escravizados no Brasil ocorre em Salvador, Bahia.

Organizada principalmente por muçulmanos nagôs e hauçás, a revolta é um ato de disciplina, espiritualidade e determinação contra o cativeiro.

Pacífico Licutan é um dos líderes espirituais, transmitindo mensagens de fé e resistência através do ensino do Alcorão em encontros secretos, fornecendo força moral aos insurgentes.

O plano dos Malês incluía libertar os cativos, derrotar a guarda colonial, tomar o controle de Salvador e instaurar uma nova ordem social.

Mais de 600 insurgentes, vestidos com túnicas brancas e armados com espadas, facões e lanças, preparam-se para a ação, utilizando a disciplina muçulmana como base para a organização militar.

No entanto, denúncias antecipam o movimento às autoridades.

Na madrugada do dia 25, os revoltosos conseguem tomar ruas de Salvador, enfrentando batalhas em pontos como Água de Meninos.

Apesar da bravura, os insurgentes são derrotados pela força militar da província.

Pós-Revolta (Após 25 de janeiro de 1835): Prisão e Legado de Pacífico Licutan

Pacífico Licutan é preso e submetido a severo julgamento.

Diferente de outros líderes, ele não é executado, mas condenado a açoites públicos e prisão, com o objetivo de quebrar sua autoridade perante a comunidade.

Mesmo com a condenação, seu nome fica marcado como um dos símbolos da insurreição.

Pacífico Licutan é lembrado hoje como o líder espiritual dos Malês, um africano que, através da fé, semeou o sonho de liberdade na Bahia.

Sua história e a Revolta dos Malês tornam-se um legado de resistência e um exemplo de como a espiritualidade pode se transformar em arma política contra a escravidão.

Elenco de Personagens Principais

Este "elenco de personagens" lista as figuras principais mencionadas nas fontes, com breves biografias baseadas nas informações fornecidas.

Pacífico Licutan

Biografia: Africano nagô, muçulmano, que chegou à Bahia como escravizado. Conhecido por sua profunda fé islâmica, dedicação à comunidade malê e conhecimento do árabe. Tornou-se uma referência de liderança religiosa e moral, ensinando o Alcorão e organizando encontros de solidariedade e resistência cultural. Mesmo no cativeiro, manteve sua dignidade e inspirou outros africanos, sendo respeitado por sua serenidade e coragem. Sem riqueza material, acumulou o respeito da comunidade. Foi um dos principais líderes espirituais da Revolta dos Malês em 1835, guiando os insurgentes com mensagens de fé e resistência. Após a derrota, foi preso, condenado a açoites públicos e prisão, mas seu nome se tornou um símbolo da insurreição e da luta pela liberdade.

Os Malês

Biografia: Grupo de africanos muçulmanos, principalmente nagôs e hauçás, que se reuniam em Salvador para praticar sua fé (rezar, estudar o Alcorão) e fortalecer laços culturais e espirituais. Constituíram a principal força organizadora da maior insurreição de africanos escravizados no Brasil, a Revolta dos Malês, em 25 de janeiro de 1835. Caracterizavam-se pela disciplina, espiritualidade e determinação em lutar contra o cativeiro, usando sua fé como base para a organização, inclusive militar. Seu objetivo era libertar os cativos, tomar Salvador e instaurar uma nova ordem social.

As Autoridades Coloniais/Provinciais (Implícitas)

Biografia: Representam o poder estabelecido na Bahia colonial, responsável pela manutenção da ordem escravista e pela repressão de qualquer movimento de contestação. Receberam denúncias sobre a Revolta dos Malês e mobilizaram a força militar da província para enfrentar e derrotar os insurgentes na madrugada de 25 de janeiro de 1835. Foram também os responsáveis pelo julgamento e condenação dos líderes da revolta, incluindo Pacífico Licutan, buscando quebrar a autoridade dos insurgentes.


Plano de Aula: Pacífico Licutan e a Revolta dos Malês – Fé, Liderança e Resistência

1. Apresentação e Justificativa Pedagógica

Este plano de aula aborda a figura histórica de Pacífico Licutan e seu papel central na Revolta dos Malês de 1835, um dos levantes de africanos escravizados mais significativos da história do Brasil. O estudo deste tema é fundamental para uma abordagem da história afro-brasileira que transcende a narrativa da vitimização, focando na agência, na complexa organização social e na profunda resistência cultural e espiritual contra o sistema escravista. Ao colocar em destaque um líder como Licutan, a aula visa humanizar os sujeitos históricos e revelar a sofisticação intelectual, religiosa e política presente nas comunidades africanas no Brasil Imperial.

Componente

Descrição

Tema Central

A liderança espiritual de Pacífico Licutan e a organização da Revolta dos Malês (1835)

Público-Alvo

Ensino Fundamental (Anos Finais) e Ensino Médio

Duração Sugerida

2 a 3 aulas de 50 minutos

Recurso Principal

Canção "A Voz de Licutan" e textos de apoio do AfroEduca

O desenvolvimento desta proposta pedagógica está alinhado às competências e habilidades da Base Nacional Comum Curricular (BNCC), promovendo uma análise crítica e contextualizada dos processos históricos:

  • EF08HI05: Explicar os movimentos e as rebeliões da América portuguesa, articulando as temáticas locais e suas interfaces com processos ocorridos na Europa e nas Américas.
  • EF07HI07: Descrever os processos de formação das culturas e dos povos, relacionando-os com o espaço geográfico ocupado.
  • EF08HI03: Analisar os aspectos relacionados ao tráfico de seres humanos e às formas de resistência à escravidão no Brasil, na África e em outros continentes.
  • EF08HI19: Formular questionamentos sobre o legado da escravidão nas Américas, com base na análise de documentos de diferentes naturezas.
  • EM13CHS502: Analisar situações da vida cotidiana, estilos de vida, valores, condutas etc., desnaturalizando e problematizando formas de desigualdade, preconceito, intolerância e discriminação, e identificar ações que promovam os Direitos Humanos, a solidariedade e o respeito às diferenças e às liberdades.

Ao explorar a vida de Licutan e a Revolta dos Malês, este plano busca construir um entendimento profundo sobre as dinâmicas de poder, resistência e identidade que moldaram o Brasil, preparando os alunos para os objetivos a seguir.

2. Objetivos de Aprendizagem

A formulação de objetivos de aprendizagem precisos é o alicerce deste plano, garantindo que a experiência transcenda a memorização de fatos. Os objetivos a seguir são projetados em uma espiral de complexidade cognitiva, movendo os alunos da análise factual (identificar) para a avaliação crítica e a conexão empática (avaliar), em total alinhamento com as competências da BNCC.

Ao final desta sequência didática, o aluno será capaz de:

  1. Analisar a biografia de Pacífico Licutan como um exemplo de liderança intelectual e espiritual, identificando como sua dignidade e fé se tornaram instrumentos de resistência à escravidão no Brasil Imperial.
  2. Identificar as principais características da Revolta dos Malês, destacando o papel central da fé islâmica, da cultura escrita em árabe, da organização comunitária e da simbologia de resistência, como o uso das túnicas brancas, na contestação da ordem escravista.
  3. Avaliar o legado da Revolta dos Malês e a memória de seus líderes como símbolos da luta contínua por liberdade e cidadania no Brasil, utilizando a canção "A Voz de Licutan" como uma ferramenta de interpretação histórica e poética.

Para alcançar tais objetivos, utilizaremos um conjunto de materiais didáticos diversificados, detalhados na seção a seguir.

3. Recursos e Materiais Didáticos

Os materiais selecionados para este plano de aula foram pensados para criar uma experiência de aprendizagem multissensorial e engajadora. A combinação de textos informativos, recurso musical e atividades interativas visa estimular diferentes formas de apreensão do conhecimento, tornando o conteúdo mais acessível e memorável para os estudantes.

A seguir, a lista de recursos necessários para a execução completa das atividades:

  • Texto 1: "Biografia de Pacífico Licutan"
  • Texto 2: "História de Pacífico Licutan e a Revolta dos Malês"
  • Recurso Musical: Letra da canção "A Voz de Licutan"
  • Material de Análise: Análise da estrutura da música. Utilizar como guia para o professor, para direcionar a interpretação da canção e conectar cada verso a um aspecto do evento histórico.
  • Mapa de Salvador: A ser providenciado pelo professor. Idealmente, um mapa do século XIX ou um mapa atual com a localização histórica de locais como Água de Meninos destacada, para facilitar a contextualização espacial.
  • Equipamento para reprodução de áudio: Opcional, para a audição coletiva da canção.
  • Materiais para produção criativa: Papel, canetas, lápis ou outros materiais de escrita e desenho.

Com esses materiais em mãos, o professor estará preparado para conduzir a sequência didática, transformando o conhecimento histórico em uma experiência viva e participativa.

4. Sequência Didática Detalhada (Passo a Passo)

Esta sequência didática está organizada em três etapas progressivas: Sensibilização, Desenvolvimento e Sistematização. Essa estrutura foi projetada para guiar os alunos desde um contato inicial e emocional com o tema até uma análise aprofundada e, por fim, a uma expressão criativa que consolide o aprendizado, promovendo uma construção sólida e significativa do conhecimento.

4.1. Etapa 1: Sensibilização e Ativação (Aproximadamente 30 minutos)

  1. Audição ou Leitura Musical: Inicie a aula com a audição da canção "A Voz de Licutan". Caso não seja possível reproduzir o áudio, realize uma leitura coletiva e expressiva da letra. Este primeiro contato com a musicalidade e a poesia serve como um convite para o universo da Revolta dos Malês.
  2. Discussão Inicial: Após o contato com a música, promova uma breve roda de conversa com perguntas norteadoras para ativar o conhecimento prévio e as impressões dos alunos:
    • Quais sentimentos ou palavras a canção despertou em vocês?
    • Quem vocês imaginam que foi Pacífico Licutan?
    • Que evento histórico a música parece descrever?

O objetivo desta etapa é criar uma ancoragem afetiva e cognitiva. As perguntas iniciais são projetadas para elicitar hipóteses e lacunas no conhecimento dos alunos, que serão sistematicamente abordadas e aprofundadas na etapa de desenvolvimento.

4.2. Etapa 2: Desenvolvimento e Análise (Aproximadamente 50-70 minutos)

  1. Análise em Grupo: Divida a turma em pequenos grupos e distribua cópias dos textos "Biografia de Pacífico Licutan" e "História de Pacífico Licutan e a Revolta dos Malês". Os grupos devem ler os materiais e responder a um roteiro de análise para conectar os dois textos. Sugestão de perguntas:
    • Como a fé islâmica de Licutan, descrita na biografia, se manifestou como uma ferramenta de organização na história da revolta?
    • A biografia descreve Licutan como um "líder silencioso". Como essa característica pode ter contribuído para a organização secreta da Revolta dos Malês?
    • Compare a punição de Pacífico Licutan (açoites) com a de outros líderes. O que essa diferença revela sobre como as autoridades coloniais viam sua influência?
  2. Atividades Dirigidas: Conduza atividades que integrem as diferentes dimensões do evento histórico.
    • Análise da Luta: Promova um debate em sala centrado na frase da canção: “Correntes se quebram, mas a luta continua”. O objetivo é levar os alunos a refletir sobre as permanências das desigualdades raciais no Brasil e as diversas formas de resistência que existem no presente.
      • Nota de Avaliação Formativa: Observe a capacidade dos alunos de articular argumentos, conectar passado e presente e respeitar diferentes pontos de vista durante o debate.
    • Contextualização Geográfica: Utilizando o "Mapa de Salvador", peça aos alunos que identifiquem pontos históricos relacionados à revolta, como a região de Água de Meninos. Eles podem criar um "tour imaginário" pela cidade em 1835, traçando os possíveis caminhos dos insurgentes.
      • Nota de Avaliação Formativa: Avalie se os grupos conseguem localizar os eventos no espaço, demonstrando compreensão da dimensão geográfica do levante.
    • Linha do Tempo Ilustrada: Proponha que os grupos criem uma linha do tempo visual da Revolta dos Malês. O foco deve ser o ano de 1835 e os principais eventos que ocorreram na madrugada de 25 de janeiro.
      • Nota de Avaliação Formativa: Observe a capacidade dos grupos de hierarquizar e sequenciar os eventos. A clareza da linha do tempo é um indicador direto da compreensão cronológica dos fatos.

4.3. Etapa 3: Sistematização e Expressão Criativa (Aproximadamente 20 minutos)

  1. Produção Criativa: Convide os alunos, individualmente ou em seus grupos, a realizar uma produção textual criativa. A proposta é que se coloquem no lugar de um participante da revolta e expressem seus sentimentos e esperanças. As opções são escrever uma carta ou um poema como se fossem um malê naquela noite.
  2. Roda de Leitura: Organize um momento de compartilhamento, onde os alunos que se sentirem à vontade possam ler suas produções para a turma. Esta atividade promove a escuta ativa, a empatia e um fechamento reflexivo e potente para a aula.

Ao final desta sequência, o próximo passo é avaliar como os objetivos de aprendizagem foram alcançados.

5. Estratégias de Avaliação

A avaliação deve ser compreendida como um processo contínuo e formativo, que acompanha o desenvolvimento do estudante ao longo de todas as etapas da aula, e não apenas como um instrumento classificatório final. O objetivo é observar o engajamento, a participação e a capacidade de análise crítica.

  • Participação nos Debates: Avaliar a capacidade de argumentação e de conectar o contexto histórico com questões contemporâneas.
  • Análise dos Textos e da Música: Observar a habilidade de interpretação de fontes históricas e a compreensão do papel de Pacífico Licutan e da fé islâmica na revolta, evidenciada nas respostas ao roteiro de análise.
  • Produção Criativa (Carta/Poema): Avaliar a apropriação do conteúdo e a capacidade de expressar empatia histórica, demonstrando compreensão sobre os sentimentos e motivações dos sujeitos históricos estudados.
  • Linha do Tempo e Mapa: Verificar a compreensão da sequência cronológica e da dimensão espacial dos eventos da Revolta dos Malês.

Ensinar sobre Pacífico Licutan e a Revolta dos Malês é, portanto, uma forma de dar vida à lição de sua memória: as correntes da ignorância se quebram, mas a luta por uma história mais justa e plural continua em cada sala de aula..