Manuel Faustino
c📑 Notas Didáticas com BNCC
Análise verso a verso:
- Verso 1 → destaca juventude e
ousadia de Manuel Faustino.
BNCC: EF07HI01 (identificar sujeitos históricos de diferentes origens). - Coro → centraliza a ideia de
esperança vinda da juventude.
BNCC: EF08HI03 (analisar movimentos de contestação à ordem colonial). - Verso 2 → conecta juventude e
sacrifício precoce.
BNCC: EF07HI07 (discutir a participação da juventude negra na sociedade colonial). - Ponte → memória e legado como
farol de resistência.
BNCC: EF09HI04 (avaliar repressão e resistência). - Final → une os quatro mártires e
reforça a coletividade.
BNCC: EM13CHS502 (avaliar processos de luta pela cidadania no Brasil).
Estratégias pedagógicas:
- Pedir que os alunos escrevam
uma carta imaginária de Manuel Faustino para os jovens de hoje.
- Relacionar a juventude do
século XVIII com os movimentos juvenis atuais por justiça social.
- Trabalhar a letra da canção
em sala como poesia crítica, discutindo metáforas.
- Criar uma dramatização com
os quatro mártires, ressaltando a idade e condições sociais de cada um.
- Propor uma atividade de
produção de “panfletos modernos” com reivindicações estudantis atuais.
Guia de
Estudo: Manuel Faustino e a Revolta dos Búzios
Quiz: Perguntas de Resposta Curta
- Quem
foi Manuel Faustino dos Santos Lira e qual era sua profissão? Manuel
Faustino foi um jovem negro de Salvador, aprendiz de alfaiate, que se
tornou um mártir da liberdade durante a Conjuração Baiana. Ele pertencia
ao universo popular e enfrentou dificuldades desde cedo.
- Qual
era a idade de Manuel Faustino no momento de sua morte e o que isso
simboliza para o movimento? Manuel Faustino tinha apenas 18 anos
quando foi enforcado. Sua juventude simbolizava o desejo de uma nova
geração que não aceitava a escravidão, a desigualdade e a submissão,
representando a voz da juventude na Revolta dos Búzios.
- Quais
foram as principais ideias defendidas pela Conjuração Baiana de 1798?
A Conjuração Baiana defendia a república, a abolição da escravidão, a
igualdade racial e melhores condições de vida. Foi um movimento radical,
inspirado pela Revolução Francesa e Haitiana.
- De
que forma Manuel Faustino contribuiu ativamente para a Revolta dos Búzios?
Ele atuou distribuindo panfletos manuscritos escritos em linguagem simples
e acessível, que convocavam o povo à revolução com frases como:
“Animai-vos, povo baianense, que está para chegar o tempo feliz da nossa
liberdade.”
- Qual
a principal diferença entre a Conjuração Baiana e a Inconfidência Mineira,
mencionada no texto? Diferente da Inconfidência Mineira, a Conjuração
Baiana teve uma participação majoritariamente de negros, mestiços,
soldados e artesãos, refletindo um caráter mais popular e radical.
- Onde
e como Manuel Faustino foi executado? Qual foi o destino de seu corpo?
Manuel Faustino foi enforcado na Praça da Piedade, em Salvador, em 8 de
novembro de 1799. Seu corpo, assim como o dos demais, foi esquartejado e
exposto em locais estratégicos da cidade como forma de intimidação.
- Qual
a importância da música "Juventude em Chamas" no contexto
pedagógico, segundo as Notas Didáticas? A música serve como uma
ferramenta pedagógica para destacar a juventude e ousadia de Manuel
Faustino, centralizar a ideia de esperança vinda da juventude e conectar
sua história com a memória e o legado de resistência.
- Cite
uma das estratégias pedagógicas sugeridas nas Notas Didáticas para
trabalhar o tema em sala de aula. Uma das estratégias é pedir que os
alunos escrevam uma carta imaginária de Manuel Faustino para os jovens de
hoje, estimulando a reflexão sobre o legado histórico e a conexão com o
presente.
- Quais
figuras mais velhas são mencionadas como líderes do grupo ao qual Manuel
Faustino se juntou? Manuel Faustino juntou-se ao grupo liderado por
Lucas Dantas, Luís Gonzaga das Virgens e João de Deus. Essas figuras,
juntamente com Faustino, foram condenadas à morte.
- Como
a execução de Manuel Faustino, aos 18 anos, foi interpretada pelo
movimento e pela história? A execução, longe de apagar a luta,
eternizou Manuel Faustino como símbolo da juventude negra que ousou
sonhar. Sua coragem ecoa como um lembrete de que o futuro pertence aos que
não têm medo de lutar, tornando-o um mártir da liberdade.
Chave de
Respostas do Quiz
- Manuel
Faustino dos Santos Lira foi um jovem negro, aprendiz de alfaiate, nascido
em Salvador no final do século XVIII. Ele pertenceu ao universo popular e
foi um dos líderes e mártires da Conjuração Baiana.
- Manuel
Faustino tinha 18 anos no momento de sua morte. Sua juventude simbolizava
a ousadia e o desejo de uma nova geração que não aceitava a escravidão, a
desigualdade e a submissão, tornando-o a voz da juventude da Revolta dos
Búzios.
- As
principais ideias defendidas pela Conjuração Baiana de 1798 eram a
instauração da república, a abolição da escravidão, a igualdade racial e a
melhoria das condições de vida para a população.
- Manuel
Faustino contribuiu ativamente distribuindo panfletos manuscritos,
escritos em linguagem simples e acessível, que convocavam o povo para a
revolução com mensagens de liberdade.
- A
principal diferença é que a Conjuração Baiana teve a participação
majoritária de negros, mestiços, soldados e artesãos, ao contrário da Inconfidência
Mineira, que teve uma participação mais elitizada.
- Manuel
Faustino foi enforcado na Praça da Piedade, em Salvador, em 8 de novembro
de 1799. Após a execução, seu corpo foi esquartejado e exposto em locais
estratégicos da cidade como forma de intimidação.
- A
música "Juventude em Chamas" é uma ferramenta pedagógica que
destaca a juventude e ousadia de Manuel Faustino, centraliza a ideia de
esperança vinda da juventude, e conecta a memória e o legado de
resistência dele com os desafios atuais.
- Uma
das estratégias sugeridas é pedir que os alunos escrevam uma carta
imaginária de Manuel Faustino para os jovens de hoje, incentivando a
reflexão sobre a história e suas conexões contemporâneas. (Outras
respostas válidas: relacionar a juventude do século XVIII com movimentos
juvenis atuais; trabalhar a letra da canção como poesia crítica; criar
dramatização com os quatro mártires; propor produção de panfletos
modernos.)
- As
figuras mais velhas mencionadas como líderes do grupo ao qual Manuel
Faustino se juntou foram Lucas Dantas, Luís Gonzaga das Virgens e João de
Deus.
- A
execução de Manuel Faustino, aos 18 anos, foi interpretada como um ato que
eternizou sua figura como símbolo da juventude negra que ousou sonhar. Sua
coragem transformou-o em mártir da liberdade e em um lembrete do poder da
luta pela transformação.
Questões
para Formato de Ensaio
- Analise
como a juventude de Manuel Faustino foi, simultaneamente, um fator de
vulnerabilidade e de força para a Revolta dos Búzios, e como isso impactou
seu legado.
- Compare
e contraste a Conjuração Baiana com outros movimentos de contestação
colonial no Brasil, focando nas motivações, participantes e ideais
defendidos, com base nas informações fornecidas.
- Discuta
a importância da memória e do legado de figuras como Manuel Faustino para
a construção da identidade nacional brasileira, especialmente no que tange
à luta por justiça social e igualdade racial.
- Explique
como as ideias da Revolução Francesa e da Revolução Haitiana influenciaram
a Conjuração Baiana e de que forma esses ideais foram adaptados e
manifestados no contexto de Salvador colonial.
- Avalie
as estratégias pedagógicas propostas nas "Notas Didáticas" em
relação à BNCC, explicando como elas podem efetivamente promover a
compreensão e a reflexão crítica dos alunos sobre a história de Manuel
Faustino e a Revolta dos Búzios.
Glossário
de Termos-Chave
- Alfaiate:
Profissional que cria, corta e costura roupas, especialmente masculinas.
No contexto da época, o ofício de alfaiate era uma das poucas portas para
o acesso a certas ideias e informações.
- Conjuração
Baiana (1798): Também conhecida como Revolta dos Búzios, foi um
movimento colonial de caráter popular e radical ocorrido em Salvador,
Bahia. Inspirado por ideais iluministas e revolucionários, defendia
república, abolição da escravidão e igualdade racial.
- Coroa
(Portuguesa): Refere-se à monarquia portuguesa, o poder colonial que
governava o Brasil na época da Conjuração Baiana.
- Enforcamento:
Método de execução por estrangulamento. Era uma forma comum e pública de
pena de morte na época colonial, utilizada como espetáculo para intimidar
a população.
- Igualdade
Racial: O princípio de que todas as pessoas devem ter os mesmos
direitos e oportunidades, independentemente de sua raça ou etnia, e que
não deve haver discriminação baseada na raça.
- Inconfidência
Mineira: Movimento de cunho separatista ocorrido em Minas Gerais em
1789, que, ao contrário da Conjuração Baiana, teve uma participação mais
elitizada e focou principalmente na independência de Portugal.
- Liberdade:
Conceito central para a Conjuração Baiana, referindo-se à liberdade
política (da Coroa Portuguesa), social (da escravidão) e individual (da
opressão).
- Mártir:
Pessoa que sofre morte ou grande sofrimento por uma causa, crença ou
ideal. Manuel Faustino é considerado um mártir da liberdade.
- Panfletos
Manuscritos: Pequenos escritos ou folhetos, geralmente feitos à mão,
usados para disseminar ideias políticas ou revolucionárias de forma
clandestina.
- Praça
da Piedade: Local histórico em Salvador onde ocorreu a execução
pública de Manuel Faustino e seus companheiros, servindo como cenário para
o castigo exemplar imposto pela Coroa.
- República:
Forma de governo em que o chefe de Estado é eleito pelo povo ou por seus
representantes, e o poder é exercido em nome do povo, em contraste com a
monarquia.
- Revolução
Francesa: Evento histórico que ocorreu na França a partir de 1789,
propagando ideais de liberdade, igualdade e fraternidade, que
influenciaram diversos movimentos de independência e contestação no mundo.
- Revolução
Haitiana: Revolta de escravos na colônia francesa de Saint-Domingue
(atual Haiti), que levou à independência do país em 1804 e à abolição da
escravidão, servindo de inspiração para outros movimentos abolicionistas.
- Universo
Popular: Refere-se à parcela da sociedade composta por pessoas de
classes sociais menos privilegiadas, como artesãos, soldados, aprendizes,
negros e mestiços, que foram a base da Conjuração Baiana.
Linha do
Tempo dos Principais Eventos
- Final
do Século XVIII:Nascimento de Manuel Faustino dos Santos Lira em Salvador:
Órfão cedo, ele começa a trabalhar como aprendiz de alfaiate, inserindo-se
no universo popular e entrando em contato com ideias de liberdade e
igualdade.
- Período
Anterior a 1798 (Juventude de Manuel Faustino):Manuel Faustino, ainda
adolescente, participa ativamente de rodas de conversa sobre liberdade e
igualdade.
- Ele
é percebido como questionador das injustiças impostas a negros, mestiços e
pobres, desenvolvendo um forte senso de coletividade e fé na possibilidade
de um novo tempo.
- 1798:Manuel
Faustino (aos 18 anos) junta-se à Conjuração Baiana (Revolta dos Búzios):
O movimento é inspirado na Revolução Francesa e Haitiana, defendendo
república, abolição da escravidão, igualdade racial e melhores condições
de vida.
- Atuação
de Manuel Faustino na Conjuração: Ele distribui panfletos manuscritos,
escritos em linguagem simples e acessível, com mensagens revolucionárias
como: “Animai-vos, povo baianense, que está para chegar o tempo feliz da
nossa liberdade.”
- Agosto
de 1798: Uma denúncia leva à prisão de dezenas de envolvidos na Conjuração
Baiana, incluindo Manuel Faustino. Ele é capturado e levado a julgamento.
- 8
de Novembro de 1799:Execução de Manuel Faustino e seus três companheiros:
Condenados à morte, eles são enforcados na Praça da Piedade, em Salvador,
diante de uma multidão forçada a assistir.
- Pós-execução:
Os corpos dos executados são esquartejados e expostos em locais
estratégicos da cidade, como forma de intimidação da Coroa.
Elenco de
Personagens Principais
Personagens
da Conjuração Baiana (Revolta dos Búzios)
- Manuel
Faustino dos Santos Lira:Um jovem negro, aprendiz de alfaiate, nascido
em Salvador no final do século XVIII. Órfão cedo, enfrentou dificuldades
desde a infância. Foi um dos líderes e símbolo da juventude na Conjuração
Baiana (Revolta dos Búzios) de 1798. Aos 18 anos, foi capturado, julgado e
executado por enforcamento, tornando-se mártir da liberdade.
- Lucas
Dantas:Mencionado como um dos líderes do grupo ao qual Manuel Faustino
se juntou na Conjuração Baiana. Foi condenado à morte e executado junto
com Manuel Faustino.
- Luís
Gonzaga das Virgens:Mencionado como um dos líderes do grupo ao qual
Manuel Faustino se juntou na Conjuração Baiana. Foi condenado à morte e
executado junto com Manuel Faustino.
- João
de Deus:Mencionado como um dos líderes do grupo ao qual Manuel
Faustino se juntou na Conjuração Baiana. Foi condenado à morte e executado
junto com Manuel Faustino.
Plano de Aula: Manuel Faustino e a Juventude na Conjuração Baiana
Identificação e Objetivos
Cabeçalho Informativo
Este plano de aula foi concebido como uma ferramenta pedagógica para explorar o protagonismo da juventude negra na história do Brasil, utilizando a figura de Manuel Faustino dos Santos Lira e sua participação na Conjuração Baiana de 1798. O objetivo é ir além da narrativa tradicional, conectando o passado colonial a debates contemporâneos sobre cidadania, justiça social e resistência. Ao focar em um jovem de 18 anos, que sacrificou sua vida por ideais de liberdade e igualdade, a proposta busca engajar os estudantes de forma sensível e crítica, mostrando que a história é moldada por agentes de diversas origens sociais, em linha com uma abordagem histórica que valoriza a agência dos sujeitos populares.
Componente | Descrição |
Tema Central | A Conjuração Baiana e o protagonismo de Manuel Faustino. |
Público-Alvo | Alunos do Ensino Fundamental (Anos Finais) e Ensino Médio. |
Duração Sugerida | 2 a 3 aulas de 50 minutos. |
Eixo Temático (BNCC) | Lutas por cidadania e transformações sociais no Brasil Colonial. |
Os objetivos de aprendizagem a seguir guiarão a construção do conhecimento, promovendo a análise de fontes e o desenvolvimento do pensamento histórico.
Objetivos de Aprendizagem
A definição de objetivos claros, alinhados à Base Nacional Comum Curricular (BNCC), é fundamental para garantir que a aula seja focada e eficaz na promoção de habilidades críticas e na compreensão aprofundada do processo histórico. Eles servem como um roteiro para que o estudante não apenas memorize fatos, mas compreenda as dinâmicas sociais, as motivações dos sujeitos históricos e o legado de suas ações.
- Objetivo: Identificar Manuel Faustino e outros sujeitos históricos populares como agentes ativos na luta contra a ordem colonial. (Habilidade BNCC: EF07HI01).
- Objetivo: Analisar as reivindicações da Conjuração Baiana (liberdade, igualdade, abolição), diferenciando-a de outros movimentos coloniais. (Habilidade BNCC: EF08HI03).
- Objetivo: Debater o papel da juventude negra na sociedade colonial e a violência da repressão imposta pela Coroa. (Habilidades BNCC: EF07HI07 e EF09HI04).
- Objetivo: Avaliar o legado da Conjuração Baiana e de seus mártires para os processos de luta por cidadania no Brasil. (Habilidade BNCC: EM13CHS502).
Para alcançar tais objetivos, é imprescindível partir de uma sólida contextualização histórica, que será detalhada na sequência didática a seguir.
Sequência Didática Detalhada
Etapa 1: Contextualização Histórica (Aproximadamente 30 minutos)
Esta etapa inicial é fundamental para construir o alicerce do conhecimento, permitindo que os alunos compreendam o cenário político, social e econômico da Salvador do final do século XVIII. Ao apresentar o contexto da Conjuração Baiana e o perfil de seus participantes, criamos as condições para uma análise mais profunda das fontes e dos debates propostos.
O Perfil da Conjuração Baiana (Revolta dos Búzios)
A Conjuração Baiana, ocorrida em 1798 e também conhecida como Revolta dos Búzios, foi o mais radical dos movimentos de contestação ao sistema colonial no Brasil. Sua principal característica era a base social eminentemente popular, composta majoritariamente por negros (livres e escravizados), mestiços, artesãos e soldados de baixa patente. Inspirada pelos ideais da Revolução Francesa e pelo sucesso da Revolução Haitiana — a única rebelião de escravizados que resultou na fundação de um Estado independente —, a revolta defendia pautas que ameaçavam diretamente a estrutura da sociedade colonial:
- Proclamação de uma República.
- Abolição da escravidão.
- Igualdade racial e fim dos privilégios sociais.
- Melhores condições de vida e salários para os trabalhadores.
Quem foi Manuel Faustino?
Manuel Faustino dos Santos Lira era a personificação da juventude que liderou essa revolta. Jovem negro, aprendiz de alfaiate e órfão, sua biografia reflete as dificuldades enfrentadas pela maior parte da população de Salvador. Seu ofício de aprendiz de alfaiate o inseria diretamente no universo dos artesãos, uma das classes mais ativas e politizadas da Conjuração, permitindo que circulasse em ambientes onde as novas ideias sobre liberdade eram debatidas. Sua juventude, longe de ser um impeditivo, era sua maior força, conferindo-lhe a ousadia de questionar as injustiças e de atuar na linha de frente do movimento, distribuindo panfletos que convocavam o povo à luta com palavras diretas e esperançosas: “Animai-vos, povo baianense, que está para chegar o tempo feliz da nossa liberdade.” Aos 18 anos, foi condenado e executado, tornando-se um símbolo da esperança e da coragem de uma geração que ousou sonhar com um Brasil justo.
Compreendida a história e seus personagens, podemos agora analisar como uma fonte artística interpreta e ressignifica esses eventos através da canção "Juventude em Chamas".
Etapa 2: Análise da Fonte Histórica e Artística (Aproximadamente 45 minutos)
A utilização de fontes não tradicionais, como a música, enriquece a aula de história ao criar pontes entre o conteúdo factual e a dimensão sensível da experiência humana. A canção "Juventude em Chamas" funciona como um documento que interpreta o passado, permitindo uma conexão mais profunda dos alunos com a trajetória de Manuel Faustino e o espírito da Conjuração Baiana.
Apresentação da Canção "Juventude em Chamas"
Verso 1
Um jovem aprendiz na rua corria
Levando nas mãos palavras que ardia
Manuel Faustino, coragem tão cedo
Sonhou liberdade sem medo
Coro
Juventude em chamas, não vai se calar
Na Bahia negra a esperança vai brotar
Do teu sacrifício nasceu uma canção
Teu nome é bandeira, é libertação
Verso 2
Na praça ecoou o grito final
A forca não vence o sonho imortal
Um jovem de dezoito, futuro roubado
Mas nunca, jamais, será apagado
Ponte
Se a vida foi curta, o legado é maior
Manuel Faustino, teu sangue é farol
Do povo que luta, da voz que resiste
Teu nome é memória que insiste
Coro
Juventude em chamas, não vai se calar
Na Bahia negra a esperança vai brotar
Do teu sacrifício nasceu uma canção
Teu nome é bandeira, é libertação
Final
Na Piedade quatro vozes se erguem
No coração do povo sempre seguem
Manuel Faustino, menino e herói
Teu sonho de justiça nunca se destrói
Análise Crítica Verso a Verso
Trecho da Canção | Análise Interpretativa | Conexão com a BNCC |
Verso 1 | Apresenta o protagonista em ação ('na rua corria'), destacando sua juventude ('jovem aprendiz'), sua condição social e a natureza subversiva de sua missão ('palavras que ardia'). Estabelece a coragem e a determinação de Faustino como centrais. | EF07HI01 |
Coro | Sintetiza a mensagem central: a juventude como força motriz da mudança ('Juventude em chamas') e a esperança que surge da resistência negra. O sacrifício de Faustino é transformado em um símbolo de libertação ('Teu nome é bandeira'). | EF08HI03 |
Verso 2 | Aborda a repressão violenta e o destino trágico de Faustino ('a forca', 'futuro roubado'), ressaltando sua pouca idade (18 anos). Contrapõe a brutalidade da punição com a imortalidade de seus ideais ('o sonho imortal'). | EF07HI07 |
Ponte | Foca no legado e na memória. A metáfora 'teu sangue é farol' significa que seu sacrifício ilumina o caminho para futuras lutas. Reforça a ideia de que sua memória é uma forma de resistência contínua ('memória que insiste'). | EF09HI04 |
Final | Menciona os 'quatro vozes', referindo-se aos quatro mártires enforcados, e reforça o caráter coletivo do movimento. Encerra a canção consolidando a imagem de Faustino como um 'menino e herói', cujo sonho de justiça permanece vivo. | EM13CHS502 |
Após esta análise detalhada, a aula avança para a aplicação prática e criativa do conhecimento adquirido, colocando o aluno como protagonista.
Etapa 3: Atividades Práticas e Sistematização (Aproximadamente 45 minutos)
Este é o momento de protagonismo do aluno, no qual o conhecimento histórico é mobilizado para criar, refletir e estabelecer conexões significativas entre o passado e o presente. As atividades a seguir foram desenhadas para estimular diferentes habilidades, desde a escrita criativa até o debate e a produção artística.
- Carta para o Futuro
- Instrução: Peça aos alunos que se coloquem no lugar de Manuel Faustino em seus últimos momentos. Eles deverão escrever uma carta destinada aos jovens brasileiros de hoje, refletindo sobre as lutas de seu tempo e deixando uma mensagem sobre a importância da coragem, da busca por justiça e da união na luta por direitos. O objetivo é estimular a empatia e a reflexão sobre o legado histórico.
- Diálogo entre Gerações
- Instrução: Organize um debate em sala de aula com a seguinte questão norteadora: "Quais as semelhanças e diferenças entre as lutas da juventude baiana do século XVIII e os movimentos juvenis contemporâneos por justiça social?". O objetivo é desenvolver a capacidade de análise comparativa, identificando permanências e rupturas nas pautas e nos métodos de luta.
- Poesia como Crítica Social
- Instrução: Conduza uma análise literária da canção "Juventude em Chamas", tratando-a como um poema. Oriente os alunos a identificarem e interpretarem as principais figuras de linguagem e metáforas, como "Juventude em chamas", "sangue é farol" e "Teu nome é bandeira". A atividade visa aprimorar a capacidade de interpretação e a compreensão do poder da linguagem poética como ferramenta de crítica social.
- Dramatização da Resistência
- Instrução: Divida a turma em grupos e proponha a criação de uma curta esquete teatral. A cena deve representar um diálogo fictício entre os quatro mártires (Manuel Faustino, Lucas Dantas, Luís Gonzaga das Virgens e João de Deus) antes da eclosão da revolta. O foco deve ser em suas idades, ofícios, medos e, principalmente, suas motivações para lutar. O potencial desta atividade está no desenvolvimento da criatividade e na humanização das figuras históricas.
- Panfletos do Século XXI
- Instrução: Desafie os alunos a criarem "panfletos modernos", que podem ser físicos ou digitais (posts para redes sociais, por exemplo). Neles, deverão expressar reivindicações atuais da comunidade escolar ou da juventude em geral. O objetivo é que se inspirem na linguagem direta dos panfletos da Revolta dos Búzios para exercitar a cidadania ativa e a comunicação persuasiva. O professor deve guiar uma breve discussão sobre o poder da linguagem concisa e mobilizadora, tanto em 1798 quanto hoje.
A execução dessas atividades fornecerá a base para formalizar o processo de avaliação da aprendizagem.
Avaliação e Recursos
Proposta de Avaliação
A avaliação deve ser formativa e processual, valorizando o engajamento, a participação e a capacidade de reflexão crítica dos alunos, indo além de uma prova tradicional. A nota ou conceito final pode ser composta pela análise de uma das atividades práticas da Etapa 3, escolhida pelo professor ou pelo próprio aluno, juntamente com a observação da participação em aula.
- A capacidade de conectar a biografia de Manuel Faustino ao contexto da Conjuração Baiana.
- A habilidade de analisar criticamente a letra da canção como fonte histórica.
- A criatividade e a pertinência na elaboração das atividades práticas (carta, panfleto, etc.), relacionando passado e presente.
- A participação qualificada nos debates e discussões em sala de aula.
Esses critérios permitem uma avaliação integral do processo de aprendizagem do estudante.
Recursos Necessários
- Projetor multimídia para exibição da letra da canção.
- Sistema de som para uma possível audição da canção (se disponível).
- Cópias impressas da letra da canção.
- Materiais para a produção das atividades (papel, canetas, acesso a ferramentas digitais para criação de panfletos).
- O texto de origem sobre a biografia de Manuel Faustino e a história da revolta.