Mãe Stella de Oxóssi
📜 História de Mãe Stella de Oxóssi
Mãe Stella de Oxóssi nasceu em 1925, em Salvador, Bahia, em um Brasil ainda marcado por preconceitos profundos contra as religiões de matriz africana. Antes de assumir a liderança religiosa, formou-se em enfermagem, trabalhando durante anos no serviço público de saúde, o que lhe deu uma visão humanitária e prática das necessidades da comunidade.
Sua iniciação no candomblé aconteceu no Ilê Axé Opô Afonjá, casa fundada por Mãe Aninha, uma das figuras mais importantes da história das religiões afro-brasileiras. Em 1976, Mãe Stella foi escolhida para suceder Mãe Senhora como a quinta Iyalorixá da casa, assumindo a responsabilidade de liderar uma das maiores comunidades religiosas de tradição nagô no Brasil.
Mãe Stella inovou ao adotar uma postura de diálogo aberto com a sociedade não-iniciada. Escreveu livros, concedeu entrevistas e participou de conferências nacionais e internacionais, desmistificando o candomblé e combatendo o preconceito religioso. Foi a primeira mãe de santo a escrever diretamente para o público leigo, explicando conceitos antes restritos ao terreiro.
Sua luta foi além da defesa da fé. Mãe Stella combateu a intolerância religiosa, a discriminação racial e a marginalização social da cultura afro-brasileira. Participou de debates sobre educação, cultura e direitos humanos, exigindo que o candomblé fosse reconhecido como parte legítima do patrimônio cultural brasileiro.
No início dos anos 2000, Mãe Stella liderou campanhas contra a espetacularização da religião e a apropriação indevida de seus símbolos. Promoveu ações de preservação da memória afro-brasileira, transformando o Ilê Axé Opô Afonjá em um espaço de educação, cultura e cidadania.
Recebeu diversos prêmios e honrarias, entre eles o título de Doutora Honoris Causa pela Universidade Federal da Bahia e a Ordem do Mérito Cultural, concedida pelo Governo Federal.
Mãe Stella faleceu em 2018, mas sua trajetória segue viva como um marco na luta pela liberdade religiosa e pelo reconhecimento das religiões de matriz africana como parte fundamental da identidade brasileira.
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