João das Botas
📜 História –
João das Botas e a Guerra Naval pela Independência Durante o processo da Independência do Brasil, a Bahia tornou-se o principal palco de resistência entre as tropas lusitanas e os brasileiros. Após a proclamação de Dom Pedro I em 1822, Salvador continuava ocupada por soldados portugueses fortemente armados, abastecidos por mar. Enquanto os combatentes populares organizavam cercos por terra a partir do Recôncavo Baiano, a luta pela liberdade nas águas era igualmente decisiva — e foi nesse cenário que brilhou a figura destemida de João das Botas.
João José da Cunha Fidié, conhecido como João das Botas, destacou-se como comandante naval a serviço da causa brasileira. Ainda que de origem portuguesa, aderiu à luta pela emancipação com fervor popular. Sua principal contribuição foi interromper o fluxo de suprimentos que chegava à guarnição portuguesa em Salvador, utilizando embarcações pequenas e velozes para atacar navios maiores que tentavam furar o bloqueio. Esses feitos lhe renderam prestígio entre as lideranças militares e o carinho da população.
Comandando escunas e lanchas armadas, João das Botas realizava ações de guerrilha marítima, surpreendendo os portugueses com emboscadas nas enseadas da Baía de Todos os Santos. Seus ataques não eram apenas militares, mas simbólicos: mostravam que o mar, até então domínio europeu, também podia ser território de resistência popular. Era comum vê-lo entre os marinheiros e pescadores, organizando as manobras com simplicidade e bravura.
Enquanto as tropas de Maria Quitéria, Corneteiro Lopes e outros heróis combatiam por terra, João das Botas fazia o mesmo pelas águas. Seu trabalho foi essencial para enfraquecer o inimigo e acelerar a rendição das tropas coloniais. Em 2 de julho de 1823, quando Salvador foi finalmente libertada, muitos sabiam que parte daquela vitória havia começado no mar, com as ações silenciosas, mas fulminantes, de João das Botas e sua frota improvisada.
Após a independência, João das Botas não buscou fama nem prestígio político. Continuou vivendo como homem do mar, respeitado por pescadores e marinheiros, e lembrado nas festas populares como símbolo da marujada libertadora. Sua figura permanece como ícone da resistência que veio das águas, da sabedoria do povo e da coragem dos que lutaram mesmo sem farda oficial. Um herói descalço com botas nos pés — e com a Bahia no coração.