Henrique Dias
Biografia
Henrique Dias foi um dos mais importantes líderes militares afro-brasileiros da história colonial. Filho de pessoas negras libertas, nasceu na Capitania de Pernambuco por volta de 1605, em pleno século XVII, e tornou-se símbolo de bravura, resistência e protagonismo negro em um Brasil ainda completamente dominado pela lógica escravista e colonial.
Ao contrário do que era comum para homens negros no período, Henrique ascendeu socialmente por mérito militar e político, alcançando postos de liderança que até então eram restritos a brancos. Durante as Invasões Holandesas no Nordeste do Brasil (1630–1654), Henrique Dias organizou e liderou um exército composto majoritariamente por pessoas negras e mestiças livres — o Terço dos Henriques — em defesa da Coroa Portuguesa.
Era um momento de contradições profundas: negros livres como Henrique lutavam pelos interesses de uma coroa que sustentava a escravidão de seu próprio povo, mas também defendiam seus territórios, famílias e possibilidades de liberdade diante de novas dominações estrangeiras.
Henrique foi um comandante altamente respeitado, não só pelo seu conhecimento de estratégias de guerra, mas também por sua coragem física e capacidade de mobilização. Participou das principais batalhas do período, como as Batalhas dos Guararapes, onde seu nome foi citado junto ao de outros dois grandes líderes: Felipe Camarão (indígena) e João Fernandes Vieira (luso-brasileiro).
Esse trio representava uma união rara entre negros, indígenas e brancos contra os invasores holandeses. Pelo seu serviço, Henrique Dias recebeu do rei de Portugal o título de Governador das Ordens Militares dos Homens Pretos, além de honrarias e pensões. Ainda assim, enfrentou ao longo da vida o racismo estrutural da sociedade colonial.
Teve de lutar constantemente para ter seus títulos reconhecidos, e sua biografia foi em grande parte apagada da história oficial durante séculos. Henrique Dias faleceu em 1662.
Seu legado foi recuperado lentamente por historiadores, movimentos negros e educadores comprometidos com uma narrativa mais justa.
Hoje, sua figura representa não só o poder de organização do povo negro livre no Brasil colônia, como também a complexidade das relações entre identidade, lealdade e resistência em tempos de guerra.
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