João Mulungu
📝 Notas Didáticas – João Mulungu
🎼 Título: João Mulungu – Voz da Terra
Negra
💡 Objetivo:
Compreender
a resistência negra rural no pós-abolição, valorizando a oralidade, os saberes
tradicionais e a luta pela terra no interior da Bahia.
🔍 Análise Verso a Verso
Verso 1
No chão
vermelho do Recôncavo profundo
Nasceu João, menino do mundo
→ Introduz a paisagem baiana e marca a ancestralidade territorial. O "chão
vermelho" remete à terra fértil, ao sangue da luta, ao pertencimento. João
é universal, mas enraizado.
Ouvia
tambor, ouvia trovão
Fez da floresta seu coração
→ A musicalidade ancestral e a força da natureza moldam João. O tambor
representa a espiritualidade; o trovão, a força natural; a floresta, seu
santuário afetivo e espiritual.
Cantava
as folhas, rezava as águas
Ergueu sua voz contra as mãos escravas
→ Canta a natureza como força viva, resiste contra o legado da escravidão. As
folhas são usadas nos rituais; a água, como elemento purificador e sagrado.
Guardião
dos ventos, dos cantos da mãe
Curava o povo com benção e afã
→ Ele protege saberes femininos e espirituais (referência à Mãe Terra ou
entidades femininas do candomblé). Atua como curador e líder comunitário.
Refrão
João
Mulungu, raiz do chão
Herança viva da libertação
Lutou com reza, com fé, com mão
Seu nome ecoa feito oração
→ Refirma a conexão espiritual e prática com a terra. A luta de João é política
e mística. "Ecoa feito oração" mostra que virou mito e guia para os
descendentes.
Verso 2
Os
latifúndios chegaram ferozes
Com grilhos modernos, com leis atrozes
→ Denúncia das novas formas de opressão: grilagem, leis injustas, violência
agrária.
Mas João
firmava o pé na aldeia
Ninguém tira o que a alma semeia
→ Resistência e firmeza. A alma coletiva da comunidade não pode ser removida
pela força.
Falava
com o tempo, com os orixás
Ensinava os jovens a não voltar atrás
→ Conecta o sagrado ao pedagógico. João transmite os ensinamentos dos
ancestrais como forma de resistência intergeracional.
Fazia da
roça um templo ancestral
Cada enxada um gesto imortal
→ A roça como espaço sagrado e simbólico. O trabalho na terra ganha dimensão
espiritual e política.
Ponte
E quando
sumiu na noite sem lua
A mata chorou, a terra ficou nua
→ Evoca o desaparecimento de João como um lamento coletivo. Uma cena simbólica
e emocional.
Mas dizem
que ele virou encantado
Num ponto riscado, no tambor sagrado
→ João se torna encantado – ser mitológico afro-brasileiro – e vive nos rituais
e tambores do povo.
Refrão
Final
João
Mulungu, guardião do sertão
Reina em silêncio na imensidão
No canto do povo, na dança do chão
João vive em cada celebração
→ Encerramento afirmativo: João está vivo nas práticas coletivas, culturais e
espirituais. Seu legado se perpetua nas festas, rezas, danças e lutas.
📚 Sugestões de Atividades Pedagógicas
(BNCC)
Habilidade
EF05HI03 (História):
Identificar permanências e mudanças na organização social, no modo de viver e
na cultura das populações negras pós-abolição.
Habilidade
EF69AR14 (Arte):
Criar obras artísticas a partir de referências da cultura afro-brasileira.
Atividades:
- Criar um cordel ou poesia
inspirada em João Mulungu.
- Mapear comunidades
quilombolas da Bahia e sua história.
- Produzir uma roda de
conversa sobre o conceito de "encantado" na cultura
afro-brasileira.
- Analisar a letra da música
com foco nas metáforas ligadas à terra, à fé e à ancestralidade.
Guia de
Estudo: João Mulungu – Voz e Resistência Quilombola
Quiz (10
perguntas de resposta curta)
Responda
cada pergunta em 2-3 frases.
- Quem foi João Mulungu e qual
o contexto histórico de sua atuação?
- Quais eram os pilares
centrais da vida coletiva na comunidade onde João Mulungu cresceu?
- De que forma João Mulungu
enfrentava a opressão dos grandes proprietários de terra?
- Além de líder, que outros
papéis João Mulungu desempenhava na comunidade?
- Como a transição do Brasil
escravista para o Brasil republicano impactou as comunidades negras
rurais, segundo o texto?
- Que tipo de violência as
comunidades negras rurais enfrentaram no final do século XIX e início do
século XX?
- Como a "casa" de
João Mulungu era descrita e que funções ela desempenhava?
- Por que João Mulungu foi
perseguido e como sua rede de apoio o ajudou?
- O que a canção "João
Mulungu – Voz da Terra Negra" simboliza ao dizer que ele "virou
encantado"?
- Como o legado de João
Mulungu se manifesta nas comunidades quilombolas atuais?
Gabarito
do Quiz
- João Mulungu foi uma
liderança negra quilombola do interior da Bahia, cuja trajetória se
destacou pela resistência cultural e defesa da ancestralidade africana.
Ele atuou em um período de transição do Brasil escravista para o
republicano, onde a liberdade jurídica não garantiu dignidade ou acesso à
terra para os ex-escravizados.
- Os pilares centrais da vida
coletiva em sua comunidade incluíam forte religiosidade afro-brasileira,
especialmente o candomblé, o respeito à natureza e laços de solidariedade.
Sua família também preservava saberes tradicionais ligados à terra, à
medicina ancestral e à oralidade.
- João Mulungu enfrentava a
opressão organizando assembleias populares, conduzindo rituais de
fortalecimento espiritual e liderando mutirões comunitários. Ele também
atuava como mediador em conflitos agrários e defendia que a terra era
sagrada e inalienável para quem nela vivia e cultivava.
- Além de líder, João Mulungu
atuava como mediador em conflitos agrários, elo entre gerações, curador e
professor informal. Sua casa servia como terreiro, ponto de escuta e
espaço de cura, onde transmitia ensinamentos ancestrais.
- A transição para o Brasil
republicano não significou acesso à terra, dignidade ou cidadania para os
ex-escravizados. O sistema manteve a estrutura latifundiária e o racismo,
intensificando a exclusão e a violência contra as comunidades negras
rurais.
- As comunidades negras rurais
enfrentaram a expansão violenta dos latifúndios por grandes fazendeiros,
com o apoio de cartórios e autoridades coniventes. Isso resultou em
grilagem, expulsões e criminalização de suas práticas culturais de matriz
africana.
- A casa de João Mulungu era
descrita como terreiro, ponto de escuta, escola informal e espaço de cura.
Pessoas de diversas regiões o procuravam ali para conselhos, bênçãos e
participação em celebrações que uniam trabalho e fé.
- João Mulungu foi perseguido
por fazendeiros e autoridades locais, acusado falsamente de liderar
"rebeliões" e "religiões pagãs". No entanto, sua
extensa rede de apoio, incluindo comunidades de fundo de pasto, quilombos
vizinhos e militantes urbanos, garantiu que sua voz continuasse a ecoar.
- Ao dizer que ele "virou
encantado", a canção simboliza que João Mulungu não morreu de fato,
mas se transformou em um ser mitológico afro-brasileiro, vivendo nos
rituais, tambores e na memória coletiva. Isso ressalta sua imortalidade e
a perpetuação de seu legado espiritual e cultural.
- O legado de João Mulungu se manifesta
nas comunidades quilombolas atuais, onde seu nome é citado como inspiração
ancestral para a luta por justiça, terra, cultura e fé. Sua resistência
ajudou a manter vivas áreas de quilombo que hoje são reconhecidas e
tituladas.
Sugestões
de Perguntas para Formato de Ensaio
- Analise como a resistência
de João Mulungu transcendeu a luta por terra, englobando aspectos
culturais, espirituais e de preservação da ancestralidade africana.
- Discorra sobre a importância
da oralidade e dos saberes tradicionais na formação e atuação de João
Mulungu, e como esses elementos contribuíram para a luta quilombola.
- Explore as diferentes formas
de opressão enfrentadas pelas comunidades negras rurais no pós-abolição, e
como João Mulungu e sua comunidade articularam estratégias de resistência
a cada uma delas.
- Compare a representação de
João Mulungu na "Biografia" e "História" com a forma
como ele é retratado na música "João Mulungu – Voz da Terra
Negra". Quais aspectos são enfatizados em cada fonte e por quê?
- Avalie a relevância do
legado de João Mulungu para os movimentos sociais contemporâneos no
Brasil, especialmente aqueles ligados à reforma agrária e à identidade
quilombola.
Glossário
de Termos-Chave
- Abolição formal da
escravidão:
Refere-se à Lei Áurea de 1888, que aboliu a escravidão no Brasil, mas não
garantiu direitos civis, terra ou dignidade aos ex-escravizados.
- Ancestralidade africana: A conexão e o
reconhecimento das raízes, tradições e valores herdados dos antepassados
africanos, que são pilares para a identidade e resistência das comunidades
quilombolas.
- Atabaques: Tambores de origem
africana, utilizados em rituais religiosos afro-brasileiros como o
Candomblé, representando a conexão com o sagrado e os ancestrais.
- Candomblé: Religião de matriz africana
praticada no Brasil, que envolve o culto aos orixás e a preservação de
tradições e rituais ancestrais.
- Encantado: Na cultura afro-brasileira,
um ser que não morreu de forma comum, mas que se transformou em uma
entidade espiritual ou mitológica, vivendo em locais sagrados ou
manifestando-se em rituais.
- Fundo de Pasto: Tipo de comunidade
tradicional rural no Brasil, caracterizada pelo uso coletivo da terra para
criação de animais, geralmente com laços familiares e culturais fortes.
- Grilagem: Apropriação ilegal de
terras públicas ou privadas, muitas vezes por meio de documentos
falsificados, prática comum na expansão latifundiária no Brasil.
- Latifúndio: Grande propriedade rural,
geralmente improdutiva ou subutilizada, que historicamente concentra
terras nas mãos de poucos proprietários, contribuindo para a desigualdade
social.
- Matriz africana: Termo que se refere à
origem africana de práticas culturais, religiosas, musicais e sociais, que
foram transplantadas e adaptadas no Brasil.
- Mutirões comunitários: Ações coletivas de trabalho
voluntário em que a comunidade se une para realizar tarefas em benefício
de todos, como construção de casas ou roçados.
- Oralidade: A tradição de transmitir
conhecimentos, histórias, saberes e valores de uma geração para outra por
meio da fala, sem a necessidade de registros escritos.
- Orixás: Divindades cultuadas nas
religiões de matriz africana, como o Candomblé, que representam forças da
natureza e aspectos da vida humana.
- Pai de santo / Benzedeira /
Raizeiro / Ancião: Figuras de autoridade espiritual e detentores
de saberes tradicionais, com funções de cura, aconselhamento e guarda da
memória coletiva em comunidades afro-brasileiras.
- Pós-abolição: Período após a abolição da
escravidão (Lei Áurea, 1888) no Brasil, marcado pela exclusão social e
econômica dos libertos e pela manutenção de estruturas racistas.
- Quilombo / Quilombola: Quilombo refere-se a
comunidades formadas por descendentes de africanos escravizados que
resistiram à escravidão e mantiveram suas tradições culturais. Quilombola
é o membro dessas comunidades, que luta pela titulação de suas terras e o
reconhecimento de sua identidade.
- Recôncavo baiano: Região geográfica e
cultural da Bahia, localizada no entorno da Baía de Todos-os-Santos,
historicamente marcada pela presença de grandes propriedades rurais e
forte cultura afro-brasileira.
- Reforma agrária: Processo de redistribuição
de terras, visando combater a concentração fundiária e promover a justiça
social no campo.
- Roçados coletivos: Áreas de plantio cultivadas
em conjunto pela comunidade, simbolizando a autonomia alimentar e a
cooperação.
- Samba de roda: Manifestação cultural e
musical do Recôncavo Baiano, reconhecida como Patrimônio Cultural
Imaterial da Humanidade pela UNESCO, combinando música, dança e poesia.
- Terreiro: Local sagrado onde se
realizam os rituais e celebrações das religiões de matriz africana, como o
Candomblé.
- Territórios titulados: Áreas de terras que foram
oficialmente reconhecidas e concedidas às comunidades quilombolas pelo
Estado, garantindo seus direitos territoriais e culturais.
Linha do
Tempo: João Mulungu e a Resistência Quilombola na Bahia
Esta linha
do tempo abrange o período da vida e atuação de João Mulungu, conforme descrito
nas fontes, que se estende do final do século XIX ao início do século XX.
- Segunda metade do Século
XIX:
- Nascimento de João Mulungu: João nasce provavelmente
neste período, em território que hoje faz parte do Recôncavo baiano.
- Infância e Formação: Cresce em comunidades
negras rurais, herdeiras do período escravista, mas com forte preservação
da religiosidade afro-brasileira (Candomblé), respeito à natureza,
solidariedade e saberes tradicionais (terra, medicina ancestral,
oralidade). É moldado pelos ensinamentos de pais de santo, benzedeiras,
raizeiros e anciãos.
- Final do Século XIX - Início
do Século XX (Período de Atuação Central):
- Contexto de Transição: João Mulungu emerge como
liderança em um Brasil pós-abolição e republicano, onde a liberdade
jurídica não garantiu acesso à terra ou dignidade para os ex-escravizados.
O latifúndio e o racismo persistem como estruturas de poder.
- Intensificação da Violência: A violência contra
comunidades negras rurais aumenta, com a expansão de grandes fazendas
através de grilagem e apoio de autoridades.
- Organização da Resistência: João Mulungu organiza e
lidera:
- Assembleias populares e
encontros sob árvores sagradas para discutir estratégias.
- Ocupações coletivas de
terras.
- Defesa espiritual com rezas
e rituais.
- Mutirões comunitários para
construção de casas, roçados coletivos e celebrações religiosas.
- Mediação de conflitos
agrários.
- Articulação de alianças com
outras comunidades e militantes urbanos.
- Transmissão oral de
ensinamentos ancestrais aos mais jovens, fortalecendo a cultura e a
identidade.
- Casa como Centro
Comunitário: Sua
casa funciona como terreiro, ponto de escuta, escola informal e espaço de
cura, atraindo pessoas de diversas regiões.
- Perseguição: João é perseguido por
fazendeiros e autoridades locais, acusado falsamente de liderar
"rebeliões" e "religiões pagãs".
- Manutenção de Quilombos: Sua resistência ajuda a
manter vivas áreas de quilombo que existem até hoje no Recôncavo e outras
regiões da Bahia.
- Data Incerta (Pós-Período de
Atuação Central):
- Desaparecimento de João
Mulungu:
Relatos orais afirmam que João desapareceu após uma emboscada, simbolizado
na música como "sumiu na noite sem lua".
- Transformação em
"Encantado": Apesar do desaparecimento físico, a figura de
João Mulungu se torna um "encantado" – um ser mitológico afro-brasileiro
– vivendo na memória coletiva, nos sonhos, rituais, tambores sagrados e
celebrações do povo.
- Legado Vivo: Seu nome e sua luta se
tornam inspiração ancestral para movimentos sociais do século XX (reforma
agrária, identidade quilombola) e para as atuais comunidades quilombolas
tituladas na Bahia, perpetuando-se no canto, na dança e nas lutas por
justiça, terra, cultura e fé.
Elenco de
Personagens: João Mulungu e a Luta Negra no Campo Baiano
Esta
lista detalha as principais pessoas e grupos sociais mencionados nas fontes,
que desempenharam papéis significativos na trajetória de João Mulungu e no
contexto de sua luta.
- João Mulungu:
- Biografia: Liderança negra quilombola
do interior da Bahia, nascido provavelmente na segunda metade do século
XIX no Recôncavo. De origem camponesa e descendente direto de africanos
escravizados. Cresceu em ambiente de forte religiosidade afro-brasileira
(Candomblé), respeitando a natureza e valorizando laços de solidariedade.
Preservava saberes tradicionais ligados à terra, medicina ancestral e
oralidade.
- Papel: Tornou-se uma referência
local na luta por autonomia dos negros rurais. Articulava assembleias,
conduzia rituais, liderava mutirões, atuava como mediador em conflitos
agrários e elo entre gerações. Resistiu à grilagem, expulsões violentas e
criminalização de práticas culturais africanas. Sua atuação fortaleceu
quilombos e comunidades negras rurais, influenciando movimentos sociais
futuros. Sua figura é um símbolo de dignidade, coragem e resistência,
transformando-se em um "encantado" e inspiração ancestral após
seu desaparecimento.
- Ancestrais / Anciãos / Mais
Velhos:
- Biografia: Grupo de pessoas mais
experientes nas comunidades rurais, incluindo pais de santo, benzedeiras,
raizeiros. Guardavam os saberes dos terreiros e da floresta, a oralidade e
as histórias de resistência dos tempos de cativeiro.
- Papel: Foram fundamentais na
formação de João Mulungu, transmitindo-lhe sabedoria e ensinamentos que
moldaram seu caráter e sua missão social. Representam a base da cultura,
fé e resistência transmitida intergeracionalmente.
- Comunidades Negras Rurais /
Quilombos / Comunidades de Fundo de Pasto:
- Biografia: Grupos de pessoas negras
que viviam no campo, muitos descendentes de escravizados, que mantinham
modos de vida coletivos, tradições culturais e religiosas de matriz
africana, e uma forte conexão com a terra.
- Papel: Eram o povo de João
Mulungu, o centro de sua atuação e o principal alvo da opressão
latifundiária. Representam a força coletiva da resistência, a base social
de apoio a João e os beneficiários diretos de sua liderança e defesa
territorial.
- Grandes Proprietários de
Terra / Fazendeiros:
- Biografia: Indivíduos que possuíam
vastas extensões de terra (latifúndios) e buscavam expandir seus domínios,
muitas vezes de forma violenta e ilegal (grilagem).
- Papel: Eram os principais
opressores das comunidades negras rurais, responsáveis pela violência
agrária, expulsões e perseguição a líderes como João Mulungu.
Representavam a continuidade da estrutura fundiária e do racismo pós-abolição.
- Autoridades Locais /
Cartórios:
- Biografia: Representantes do poder
público e instituições formais (como cartórios de registro de terras) em
nível local.
- Papel: Eram frequentemente
coniventes com os grandes proprietários de terra, legitimando a grilagem e
a opressão. Perseguiam João Mulungu, acusando-o falsamente de
"rebeliões" e "ações subversivas".
- Militantes Urbanos:
- Biografia: Pessoas engajadas em
movimentos ou causas na cidade.
Papel: Faziam parte da rede de apoio a João Mulungu, garantindo que sua palavra continuasse ecoando, o que sugere uma articulação entre a luta rural e alguns segmentos do ativismo urbano da época.

